Os Livros Ardem Mal

Cannibal & Co. (V)

Posted in Comentários, Poesia by Pedro Serra on Segunda-feira, 11-05-2009

Anthony-Hopkins-Julianne-Moore-in-Hannibal-Posters

Um beijo conta-se pelos dedos. Vêm depois do beijo o Natal e o Ano Novo, imaculada conceição da democracia postal dos beijos seráficos:

“amores, os meus

atiro-te um beijo joana dos ratos.
mónica dentes podres a vós lanço-vos uma
promessa de amor. sandra complexo
de mongol, a ti, querida,
um bouquet de jasmins. e tina
andróide apenas uma perna, para ti
carícias na mama esquerda. a
vós todas, mais a fátima carcinoma pelo na venta
a quem introduzo o dedo na vagina,
a todas vós,
feliz natal e excelente ano novo.”

hélio t.

 
Atirado em bruto pelo enervamento digital, o beijo dá pauladas no nome, qualquer nome de bonina:

“Amores

Judite, a loura e magra, que ora vive
Entre palmas e mirra, nas novenas;
Dulce, a de peitos de hidromel e penas,
Com quem libidinosas noites tive;
Maria, a ingénua, a plácida macia,
Ingénua como um pintassilgo, e pura
Como um mês de Maria;
Lídia, a trigueira hostil, severa e dura,
E Fábia, a de olhos perturbantes, lassos,
E de morenas aprilinas pomas.
Fábia, cujos abraços
Me vestiam de aromas,
Todas adorei,
Todas me adoram,
E todas choram quando as desprezei.

Antes de as possuir, antes de as subjugar
Co’a força do meu verbo e a luz do meu olhar,
Em cada uma eu via o céu aberto;
Mas, apenas o peito as comprimia,
O meu entusiasmo arrefecia
E o céu sonhado transformava-se em deserto…
Ante a posse, os desejos esmorecem:
Do amor na amarga pugna,
Fui como os doentes que tudo apetecem
E a quem tudo repugna…”

Eugénio de Castro

 
Antes de qualquer Natal e Ano Novo do mundo, ó rolas, não há beijos por consenso. Hannibal Lecter, canibal lector!, beija Julianne Moore com os dedos, no carrossel aceso enquanto roda.

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