Os Livros Ardem Mal

Inquérito OLAM: Rui Zink

Posted in Inquérito by OLAMblogue on Quinta-feira, 26-02-2009

rui_zink

Rui Zink é professor da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, tendo-se doutorado com uma tese sobre a banda desenhada como narrativa literária. Acompanhou as práticas performativas e experimentais do grupo da Po.Ex. no início dos anos 80 e tem uma obra literária vasta, distribuída por vários domínios: a BD para a qual escreve com frequência, quer se trate de obras com ilustração de Manuel João Ramos, António Jorge Gonçalves, ou Louro; a literatura infantil; o humor; e a ficção, de que se destacam os romances Hotel Lusitano, Apocalipse Nau, O Suplente, ou Dádiva Divina (Prémio do PEN Clube Português, 2005), e ainda volumes de contos como A Palavra Mágica. Publicou uma obra «interactiva», o romance Os Surfistas. Vários dos seus livros estão traduzidos, estando também editado no Brasil. Agradecemos a Rui Zink a sua colaboração no nosso inquérito.

1) Qual é, em seu entender, o melhor livro de ficção (romance, novela ou conto) portuguesa do século XX? Porquê?

Comunidade de Luiz Pacheco, que tanto dá em itálico (saiu em livro uno) como com aspas (foi incluída como conto em colectâneas). Porque é um texto que, embora em poucas páginas (ou talvez por isso mesmo), sumula a ficção moderna do século XX: ao mesmo tempo é colagem (à vox populi), é des-colagem (da mens populi), é ficção, é autobiografia, é paródia, é panfleto, é mudanças rítmicas, mescla de níveis (alto, baixo, médio, mediano mesmo), assumida e descaradamente menor, texto feito corpo (e cheiros), obra aberta, romance policial (ou seja, obra fechada) e, last but not least, leva alguns leitores a pensarem/dizerem “ah, isto também eu fazia”.

2) Qual é, em seu entender, o melhor livro de poesia portuguesa do século XX? Porquê?

A Reinvenção da Leitura, de Ana Hatherly (1975). Porque cinde, numa unidade, partes convencionalmente separadas: ensaio e poema, signo e sentido, escrita e desenho, caligrafia e radiografia. Que mais posso dizer? Talvez que é muito bonito e faz pensar, se não estivesse fora de uso dizer ingenuidades destas.

3) Se a pergunta não fosse «qual o melhor» mas sim «qual o mais importante», as suas respostas seriam as mesmas ou seriam diferentes? Em quê, no segundo caso?

As respostas não seriam necessariamente as mesmas porque o mais importante (que muda, influencia, demarca) nem sempre é “o melhor”. E o mais importante de que ponto de vista? Influência? Impacto no seu tempo? Ponto de viragem? Poderia continuar (e até responder), mas para brincadeiras injustas já tive hoje a minha dose. Ite missa est.

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