Os Livros Ardem Mal

Inquérito OLAM: Eduardo Pitta

Posted in Inquérito by OLAMblogue on Quinta-feira, 12-02-2009

pitta

Eduardo Pitta é poeta, ficcionista e ensaísta. Publicou o seu primeiro livro, a colectânea poética Sílaba a Sílaba, em 1974. Reuniu a sua poesia, em volume antológico, em 1999, sob o título Marcas de Água. Na ficção publicou Persona (2000) e Cidade Proibida (2007). O seu primeiro volume de crítica e ensaio, Comenda de Fogo, é de 2002, datando o mais recente, Metal Fundente, de 2004. Praticou também a diarística em Os Dias de Veneza (2005). É o responsável pela edição da obra de António Botto, de que saíram já dois volumes. Colabora actualmente no suplemento Ípsilon do Público e anima o blogue Da Literatura, tendo reunido uma selecção de posts seus no livro Intriga em Família (2007). Agradecemos a Eduardo Pitta a disponibilidade para colaborar neste inquérito.

1) Qual é, em seu entender, o melhor livro de ficção (romance, novela ou conto) portuguesa do século XX? Porquê?

Sinais de Fogo, que Jorge de Sena começou a escrever em 1964 e teve publicação póstuma quinze anos mais tarde. No país que então digeria Finisterra, de Carlos de Oliveira, Sinais de Fogo relativizou a herança modernista, ao mesmo tempo que trazia à nossa literatura o tema sempre escorregadio da virilidade itinerante. Não é despiciendo que o tenha feito com um conseguimento que o resgata de qualquer proselitismo.

2) Qual é, em seu entender, o melhor livro de poesia portuguesa do século XX? Porquê?

Poesias de Álvaro de Campos, assim se chama o livro a que Cleonice Berardinelli prefere chamar Poemas de Álvaro de Campos, e Teresa Rita Lopes apenas Poesia, no singular. Estamos sempre a falar do mesmo, sem prejuízo das inclusões e exclusões que distinguem essas três edições. Refazendo o universo “sem ideal nem esperança” que tomou como seu, Campos inventou uma língua nova. E ainda hoje escasseia pólvora para a dinamitar.

3) Se a pergunta não fosse «qual o melhor» mas sim «qual o mais importante», as suas respostas seriam as mesmas ou seriam diferentes? Em quê, no segundo caso?

Seriam as mesmas, porquanto, num caso e noutro, a questão do “gosto” coincide com o reconhecimento de que tanto Sena como Campos mudaram o paradigma. Sena, pela ousadia do romance contador de histórias (o pleonasmo é intencional) em tempo de rarefacção. O outro engenheiro por obrigar a poesia a pensar, em detrimento do volteio.

Comentários Desativados em Inquérito OLAM: Eduardo Pitta

%d bloggers like this: