Os Livros Ardem Mal

2008 Vintage: Catarina Maia

Posted in Balanço by Catarina Maia on Quinta-feira, 15-01-2009

Melhores filmes

1) Wall-E, de Andrew Stanton

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Wall-E não é apenas o melhor filme de animação do ano, é o filme mais extraordinário que nos foi dado ver numa sala de cinema nos últimos anos. E isso foi reconhecido pela Associação de Críticos de Los Angeles que, pela primeira vez, em 33 anos de existência, votou num filme de animação como o melhor filme do ano. Wall-E é uma viagem terna, divertida e inteligente pela história do cinema. Uma prova de confiança na capacidade de amar.

2) Este País Não é Para Velhos, de Joel e Ethan Cohen

Não encontro nos filmes dos irmãos Cohen uma qualidade homogénea. Têm filmes fabulosos e outros que acho francamente medíocres, como O Grande Lebowski (1998), ou mesmo o muito aclamado Fargo (1996). Este País Não é Para Velhos parece-me, contudo, indiscutivelmente, um desses fabulosos acontecimentos cinematográficos de 2008. Um excelente argumento (adaptado do romance de Cormac McCarthy) que desafia a nossa crença na capacidade de contornar as contingências, de escapar à realidade caótica a que estamos sujeitos, de que fazemos parte.

3) Fome, de Steve McQueen

Fome é a primeira longa metragem de Steve McQueen, um reconhecido artista visual inglês, que conta com Michael Fassbender no seu primeiro grande papel (até aqui Fassbender tinha trabalhado essencialmente em séries de TV, representando papéis menores). A estreia, digamos assim, de um e de outro merece a nossa atenção. Fome conta a história real dos últimos meses de vida de Bobby Sands, membro do IRA, que morreu em 1981, depois de sessenta e seis dias de greve de fome na prisão de Maze, na Irlanda do Norte. O facto de o filme tratar do abuso perpetrado sobre presos políticos pode criar expectativas de fácil empatia, mas a verdade é que a estética do filme, de uma clareza formal impressionante, e a quase ausência de diálogos afastam o espectador para uma posição desconfortável de observador. Uma experiência de onde está afastada a compaixão. Mas qual é a posição «correcta» para assistir à violência?


Melhores DVDs

1) História(s) do Cinema, Jean-Luc Godard

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Num ano relativamente fraco em termos de edições em DVD, História(s) do Cinema é, sem dúvida, a escolha mais evidente, e obrigatória. O DVD contém vários exercícios perturbantes que Godard trabalhou entre 1988 e 1998. À luz do que dizia atrás, sobre qual a posição «correcta» para assistir à violência, os trabalhos de Godard presentes em História(s) do Cinema são aqueles que colocaram esta questão da forma mais brutal, mais difícil e mais genial a que já assisti. Mas sinto sempre que há qualquer coisa de imoral em falar sobre este conjunto de filmes. Eles servem, possivelmente, uma relação exclusiva com cada um dos seus expectadores.


2) Alexandra, de Alexander Sokurov

Alexandra

Alexandra é um filme intimista que recupera e completa (não sei se oficialmente?) a trilogia familiar composta por Mãe e Filho (1997) e Pai e Filho (2003), felizmente também editados em Portugal. A sua passagem pelas salas de cinema foi muito discreta e por isso destaco a sua edição em DVD que pode contribuir para um maior conhecimento da obra de um dos maiores realizadores russos da actualidade. Em Alexandra, Sokurov consegue novamente através dos cenários, desta vez de uma Chechénia destruída, a construção de personagens e situações complexas, densas e poéticas.


3) Eros, de Soderbergh, Antonioni e Wog Kar Wai

Eros

Eros é composto por três curtas metragens sobre o erotismo: O Perigoso Fio das Coisas, de Antonioni; A Mão, de Wong Kar Wai; e Equilibrium, de Soderbergh. Em termos gerais, não resultou daqui um grande projecto. É até de algum modo decepcionante. E a decepção vem, justamente, dos dois mestres mais consagrados: Antonioni e Wong Kar Wai. De Antonioni porque estava… velho. De Wong Kar Wai porque é «mais do mesmo». Em A Mão, o realizador repete os longos planos em slow motion de personagens meio desligadas em cenários decadentes e diálogos cortados a que já nos habituou. Uma fórmula gasta como se percebeu cabalmente quando recentemente a resolveu aplicar a actores e cenários ocidentais – estou, como é evidente, a falar de My Blueberry Nights – O Sabor do Amor (2007), e com este filme poderíamos começar uma lista dos piores filmes do ano! Mas Eros contém uma pequena pérola de Soderbergh. Equilibrium é uma curta metragem espantosa e intrigante. Só por isto este DVD merece constar da lista «dos melhores».

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