Finis terrae?
Os peregrinos deslizam nas paredes. Silhuetas a arder sobre um fundo rugoso. O gado atrás: cavalos rastejando, os carneiros maiores que os bois. Sobem barrancos de estuque, películas de cal inchada pela humidade; afundam-se em manchas de bolor; alongam-se ao dobrar os quatro cantos da sala, que os flectem, projectam para diante. Nas portadas da janela, as figuras tornam-se quase ruivas: a luz do halo atravessa a madeira e o seu poder continua. Caminham com o movimento articulado duma lanterna mágica, que não esfuma os contornos. Ao contrário: vultos de grande nitidez marcham num gráfico anguloso mas firme. E de súbito, param. Não tropeçam, nem se atropelam uns aos outros, param simplesmente no relevo do écran. Ao alto, nuvens presas por fios de cenário (invisíveis) detêm-se também.
Põe a lupa em cima do desenho e as imagens no estuque crescem quatro ou cinco vezes.
Como se chama o filme?
Não respondem.
Peregrinação?
Silêncio.
Finis terrae?



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