Os Livros Ardem Mal

Inquérito OLAM: Luís Mourão

Posted in Inquérito by OLAMblogue on Terça-feira, 21-10-2008

Luís Mourão é professor na Escola Superior de Educação de Viana do Castelo. Ensaísta com obra vasta, publicou especialmente sobre ficção portuguesa do século XX, com particular atenção ao tópico do «fim da história» e sempre com especial dedicação à obra de Vergílio Ferreira. A sua última reunião de ensaios, de 2003, intitulou-se Sei que já não, e todavia ainda. Anima, desde há alguns anos, um blogue pessoal, Manchas. Agradecemos a Luís Mourão a disponibilidade revelada para responder ao nosso inquérito. 

1) Qual é, em seu entender, o melhor livro de ficção (romance, novela ou conto) portuguesa do século XX? Porquê?

Na tua face, de Vergílio Ferreira. Por causa da Luz, do Luc, da Ângela, da Bárbara, do Daniel, do mar, da aflição, da paz porque sim, do impossível para além disso, e por nenhuma destas razões.
 
2) Qual é, em seu entender, o melhor livro de poesia portuguesa do século XX? Porquê?

Poesias, de Álvaro de Campos, naquela edição da Ática. Há uma biblioteca imensa a explicar porquê. E depois disso, nunca consegui ler poesia que me atingisse que não fosse, de alguma maneira, sub specie Álvaro de Campos, desde Herberto (o que  se compreende) a Sofia ou a Eugénio (o que já pediria alguma explicação, mas também se compreende).

3) Se a pergunta não fosse «qual o melhor» mas sim «qual o mais importante», as suas respostas seriam as mesmas ou seriam diferentes? Em quê, no segundo caso?

Seriam diferentes. Dizer do “melhor” faz-nos deslizar para o campo do subjectivo e do afectivo sem que sintamos que com isso cometemos qualquer crime “teórico”. Dizer do mais importante implica trabalhar no cânone. A esta distância, não acho que se consiga apontar “o mais importante”, mas apenas obras muito importantes em diferentes períodos (em que por acaso se incluem as duas que elegi como melhores). Daqui por trezentos anos, talvez haja umas notas de rodapé sobre o século XX, talvez um capítulo, mas sobre isso não me pronuncio para manter a coerência do meu percurso académico: nunca escrevi uma linha sobre literatura portuguesa com trezentos anos…

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