Os Livros Ardem Mal

Paulo Henriques Britto (VI)

Posted in Comentários by OLAMblogue on Domingo, 28-09-2008

Da sequência «Sete peças acadêmicas», os poemas VI e VII:
 

Por mais que se fale ou pense ou
escreva, eis o veredicto:
sobre o que não há de ser dito
deve-se guardar silêncio.

Ser, não-ser, devir, dasein,
ser-pra-morte, ser-no-mundo:
Valei-me, são Wittgenstein,
neste brejo escuro e fundo
sede minha ponte pênsil,
escutai o meu não-grito:
pois quando não há o que ser dito
deve-se guardar silêncio.

 

Mas isto também é ser –
isto que está acontecendo.
Aliás, mais que tudo, isto.

Dito isso, o que dizer
que não mero suplemento
ao tudo já dito e escrito?

(No entanto, como conter
o impulso fraudulento
de acrescentar um asterisco

e num escuso rodapé
murmurar entredentes:
penso, portanto rabisco?)

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