Os Livros Ardem Mal

Aquele querido mês de Agosto (IX)

Posted in Crítica by Osvaldo Manuel Silvestre on Segunda-feira, 22-09-2008

E talvez seja enfim altura de sugerir que tanto ou mais do que a pergunta garrettiana «Onde está o povo?» é neste filme decisiva a pergunta camiliana «Onde está a felicidade?» A pergunta ocorre por todo o filme e a sua resposta condensa-se naquele momento literalmente sublime, já no final, em que Tânia chora e ri em simultâneo. A felicidade, aprende Tânia nesse momento em que Helder a atraiçoa, na medida em que não consegue estar à altura do seu amor, está onde Álvaro de Campos a colocou: na Austrália. Não está, pois, como certas leituras apressadas sugerem, no coração do país, na zona de Arganil, entre serras e pinhais; como não está de facto em nenhum arraial ou bailarico de Agosto, o que significa que não está no povo ou sequer na sua alma; está apenas, se isso é estar, no espaço entre-sonhado do desejo e da rememoração, o mesmo é dizer, nos três tão longos minutos de uma canção.

Osvaldo Manuel Silvestre

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