Os Livros Ardem Mal

Um post, um filme, um blogue

Posted in Notas by Osvaldo Manuel Silvestre on Domingo, 24-08-2008

Não sei se é um post, um avião ou o Super Homem. Ou melhor, só pode ser um post pois só um post pode ser e fazer isto. Refiro-me a Um filme (o encantamento começa e acaba no bosque), de alguém que se assina misteriosamente C. e de que sou já há bastante tempo leitor e admirador invariável. Resumindo, trata-se de um post sobre um dos mais belos filmes da história tão cansada do cinema, O Rio, de Jean Renoir.

Não resumindo, trata-se de um post que nos ensina (i) a flexibilidade da forma post (citação, colagem, texto e imagem, textos e imagens escolhidos, como sempre, com especial sensibilidade, juízo crítico e pertinência argumentativa e estética), (ii) a singularidade – tão pedagógica – do trabalho de C., talvez a blogger mais estimulante deste país, pela capacidade para pensar, em blogue e como se o blogue fosse hoje a forma natural e privilegiada para o fazer, talvez por permitir fazê-lo em formato 1 por 1, digamos, as imagens (as do cinema mas também as que ocorrem na e fazem a literatura, as que se gravam em nós e fazem o dia-a-dia, etc.). Finalmente, é um post do blogue que mais aprecio, o Dias Felizes. Porque é um blogue que não fala de política, esse vício infantil da blogosfera, e porque, no estranho «casamento» das histórias e citações de Rui Manuel Amaral com as reflexões de C. sobre a imagem, produz um híbrido admiravelmente coeso e, em sentido rigoroso, encantador.

Para o dizer de uma forma que os seus criadores seguramente apreciarão, de cada vez que entro no Dias Felizes sinto-me a entrar, pela primeira vez, em O Feiticeiro de Oz. Mais precisamente, na parte inicial, a preto e branco, a de todos os segredos, sustos e encantamentos.

P.S. Agora que se discute (até que enfim…) a mais do que justificada extensão portuense da Cinemateca Portuguesa, e que se perfilam nomes para a dirigir, também eu tenho uma sugestão: C. Porque não tenho qualquer dúvida sobre a sua competência para o cargo, no que concerne à programação; e porque, assim como a programação de Bénard da Costa na Cinemateca, no seu modelo e método, não me suscita a menor curiosidade há já longos anos, não páro de imaginar o que seria uma programação, e o que seria uma cinemateca, da responsabilidade de C.

Osvaldo Manuel Silvestre

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