Os Livros Ardem Mal

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Posted in Notas by Osvaldo Manuel Silvestre on Segunda-feira, 10-03-2008

Assisti uma vez, no Porto, na Fundação António de Almeida, a um lançamento de uma obra de Maria Gabriela Llansol (fim dos anos 90, creio). Fui, de Braga, com Américo Diogo, que fazia uma intervenção na sessão, e conheci Augusto Joaquim, com quem de imediato simpatizei. Llansol sentava-se na primeira fila e a sessão decorria no ambiente grave e silente de uma missa laica: leituras, piano, ballet, as pessoas sussurrando entre si na audiência como numa capela se sussurra, entre reverência e tremor. A pretexto da viagem até Coimbra, e depois de ouvir Américo Diogo, cuja performance destoou um tanto, saí como quem foge. O meu afastamento da obra de Llansol, cuja Trilogia de Rebeldes tanto me impressionara, começou nesse dia. A forma como foi pensando a figura do «legente» só me afastou ainda mais, já que o destino inevitável dessa figura é o corpo místico da seita de legentes. A minha concepção do leitor, que é uma concepção inteiramente secular, é muito outra; e se quisesse enumerar, ponto por ponto, tudo aquilo que para mim não é e não deve ser um leitor, só tinha de transcrever miudamente Llansol (dispenso-me de o fazer em relação aos seus assumidos legentes, já que o discurso destes é, quase sempre, involuntariamente caricatural, e se calhar por não poder deixar de o ser).

Eis porque assino isto por baixo (no que toca aos dois autores em pauta, aliás).

Osvaldo Manuel Silvestre

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