Os Livros Ardem Mal

Post Scriptum: «And the winner is…»

Posted in Óbitos, Balanço, Prémios by OLAMblogue on Segunda-feira, 08-03-2010

A «coisa» chamada Os Livros Ardem Mal – um encontro mensal no Teatro Académico de Gil Vicente e este blogue – recebeu um dos Prémios LER/Booktailors: o Prémio Especial Blogosfera de Edição. O júri, diga-se, deu provas de uma rara clarividência… O prémio deveria ter-nos sido entregue no Casino da Póvoa durante as Correntes d’Escritas, mas razões mais altas impediram-nos de estar presentes. Por essa razão, e a título de modesta retribuição e agradecimento, enviámos o texto que se segue. Este texto foi ainda publicado no Blogue TAGV.

Os Livros Ardem Mal começou por ser uma conversa mensal com um escritor convidado, sempre na primeira segunda-feira de cada mês, pelas 18 h, no Teatro Académico de Gil Vicente, em Coimbra, em colaboração com o Centro de Literatura Portuguesa da Universidade de Coimbra. A iniciativa foi dinamizada desde o início por quatro professores dessa Universidade, provenientes de áreas diversas: António Apolinário Lourenço (literatura), Osvaldo Manuel Silvestre (literatura e artes), Luís Quintais (antropologia) e Rui Bebiano (história).

Nas temporadas de 2007-08 e 2008-09, passaram pelo Teatro Académico, entre Outubro e Julho, 20 escritores, tomando «escritor» na acepção mais lata: jornalistas, poetas, romancistas, um dramaturgo, um teólogo, um cientista, três músicos, ensaístas, etc. As conversas eram acompanhadas da sugestão de livros recentes, apresentando cada membro do painel as suas escolhas. O painel foi a certa altura alargado e passou a inclui, além dos membros antes referidos, Catarina Maia e Salomé Coelho.

A iniciativa passou a contar, desde o início de 2008, com um blogue com o mesmo nome, no qual colaboraram ainda Ana Bela Almeida, Manuel Portela, Miguel Cardina, Pedro Serra e Sandra Guerreiro Dias, a que se juntou por fim Pamplinas.

O OLAM, como passámos a chamar-lhe entre nós, foi um momento alto e festivo na nossa vida, uma pedra branca no calendário: a segunda-feira em que íamos reencontrar os funcionários do Teatro que deram sempre o seu incondicional apoio à iniciativa – a Elisabete Cardoso, a Marisa Santos, o Mário Henriques, a Teresa Santos – e o nosso público, que foi de uma fidelidade surpreendente e, vista em retrospectiva, comovente.

Este Prémio Especial Blogosfera de Edição honra-nos, mas honra também a colaboração que, quase sem excepções, o mundo editorial concedeu à nossa iniciativa: enviando livros solicitados por nós, ajudando na logística dos autores escolhidos e, por vezes, na promoção. Se não falamos apenas do blogue é porque o OLAM não foi apenas um blogue, mas sim uma vontade muito intensa de pôr as pessoas a falar de livros e por intermédio de livros, recorrendo a alguns dos meios ao nosso dispor.

Como imaginam, a decisão de parar foi difícil. Mas tudo tem um tempo e nada pior do que insistir fora de tempo. Um prémio destes, porém, vem sempre a tempo. Muito obrigado.

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E, por fim, arderam mesmo…

Posted in OLAM by OLAMblogue on Quinta-feira, 17-09-2009

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[Fotograma de Fahrenheit 451, filme de François Truffaut (1966) sobre
o romance homónimo de Ray Bradbury]

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Para quem não entendeu, agora em versão didáctica

Posted in Notícias, OLAM by OLAMblogue on Quarta-feira, 02-09-2009

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P.S. Mas as postagens recomeçam dentro de momentos.

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Em tempo

Posted in Notícias, OLAM by OLAMblogue on Terça-feira, 01-09-2009

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Durante três anos, inicialmente sob a designação Escaparate, depois já como Os Livros Ardem Mal, um grupo de pessoas – professores da Universidade de Coimbra e algumas estudantes de pós-graduação – animou, com apoio do Centro de Literatura Portuguesa da Faculdade de Letras da mesma universidade, uma reunião mensal no Teatro Académico de Gil Vicente, na primeira segunda-feira de cada mês. No início para falar apenas de livros recentemente editados, depois com um convidado cujo trabalho de algum modo mantivesse uma relação forte com o universo do livro. Foram 20, os convidados dessa segunda fase, e deles fomos dando nota aqui, a partir do momento em que a iniciativa passou a ser acompanhada de perto por este blogue.

Agora, três anos depois, chegou a altura de parar. Ou melhor: de suspender a iniciativa por um período sabático de 12 meses. Por cansaço, por dificuldade crescente de conciliação das agendas profissionais dos membros do painel com as exigências muito particulares da iniciativa, por necessidade de a repensar no todo e nos detalhes. Custa-nos abandonar o hábito (e o ritual) do fim-de-tarde na primeira segunda-feira de cada mês no TAGV: pelo público que nos foi acompanhando com uma fidelidade rara e decerto imerecida; e pelo empenho dos devotados membros do staff do nosso teatro académico. Mas tudo tem um tempo e nada pior do que insistir fora de tempo.

Quanto ao blogue, tudo indica que continuará, até novas ordens.

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Mário Henriques

Posted in OLAM, TAGV by OLAMblogue on Domingo, 19-07-2009

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Mário ‘sonomario’ Henriques é sonoplasta dos Serviços Técnicos do TAGV. N’ Os Livros Ardem Mal, para além de sonorizar a sessão para o espaço do Café-Teatro, é também o responsável pelas gravações que vai fazendo religiosamente - e que, não sem razão, acha um desperdício não serem ainda disponibilizadas online (lá iremos, Mário…). Quando sorri, lá ao fundo, é porque a coisa está mesmo mesmo a correr bem…

O nosso obrigado ao Mário por tudo o que consegue fazer com os meios de que dispõe. E pelo depoimento que se segue.

 

Primeiro, quando ouvi o nome do evento, achei que, se Os Livros Ardem Mal, nem para isso servem.

Depois, enraizada a ideia de ter que acompanhar todas as sessões, como sonoplasta, porque não tentar aprender algo, já que a vida é madrasta e pouco fértil de tempo para me dedicar a leituras e ouvir o que algumas sumidades achavam dos livros que escolhiam para deles falar.

Business and pleasure. Na mesma data, na mesma sala.

O meu carinho pelos livros foi crescendo e com ele a vontade de ler mais.

A sonoplastia nem sempre correu bem. Mas isso são águas passadas e sem ressentimentos.
Desde o tempo das gravações para a RUC (e a tentativa de recuperação dessas mesmas sessões e o jogo quase maçónico para as obter….).

Aprender a gostar dos livros e de quem os faz, na minha pessoa, foi uma tarefa ambiciosa para @s paineleiros d’ Os Livros Ardem Mal.

Foi sugerido uma vez que podíamos ir em digressão. Era um grande prazer que me davam.

Gostar de alguém em especial, é-me difícil. Tanto dos entrevistadores como d@s convidad@s.

Ficou a faltar algo que tinha proposto: a difusão via Web  e um arquivo on-line das sessões.
É um trabalho para o futuro. Mesmo que esta mostra, ao vivo e com gente lá, acabasse, ficava a memória.

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Elisabete Cardoso

Posted in OLAM, TAGV by OLAMblogue on Domingo, 19-07-2009

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Elisabete Cardoso é a responsável pelos serviços de recepção e de bilheteira do TAGV. Trata dos contactos com as editoras, faz circular entre os membros d’ Os Livros Ardem Mal as novidades editoriais recebidas e mais o que for preciso. Ao telefone ou por e-mail, o seu entusiasmo e profissionalismo manifestam-se em cada mensagem.

Agradecemos à Elisabete por tudo (e pela boa disposição), ao longo destes 3 anos. E pelo seu depoimento, que a retrata tão bem.

 

Dos dois lados

Seriam estas as perguntas:

1) O que vos agrada mais no OLAM
2) O que vos agrada menos
3) Uma sessão de que tenham gostado especialmente

Poderia converter o 1), 2), 3) num a), b), c) e dar respostas rápidas como num qualquer inquérito de revista de fim-de-semana, do tipo:

a) Dos livros e de quem os recomenda
b) De não ter tempo para os ler e de perder sessões do OLAM
c) Do António Pinho Vargas, porque pensava que já não havia pequenos intelectuais assumidos

E a coisa ficava por aqui. E ninguém podia exigir mais. As respostas rápidas e o easy reading até estão na moda. Escrever como se fala, para não custar a ler.

Mas, para mim, Os Livros Ardem Mal é outra realidade, uma experiência mais intensa.

O lado de cá dos Livros Ardem Mal é (e tem de ser) diferente do lado de lá.

Do lado de lá, estão as cadeiras e o balcão do café-teatro e as pessoas que, com mais ou menos assiduidade, escutam as sugestões das novidades literárias. Movem-se devagar e em silêncio e olham com atenção para cada gesto do autor, mais ou menos conhecido, e dos elementos do OLAM.

Do lado de cá, está então um convidado que, entre os anfitriões, olha o público, ouve falar sobre os livros dos outros e sobre a sua própria obra (a que está construída e a que está por construir). Passa a mão pelo cabelo, ajeita o microfone, bebe um gole de água, expectante pelas perguntas e mais ainda pelas suas respostas.

E antes de tudo isto, entro eu. Recebo os livros, registo-os, distribuo-os e ainda antes de tudo isto, tenho o privilégio de lhes mexer, rodá-los, novos, saídos do prelo, às vezes, horas antes. Aquele cheiro característico. Dar-lhes uma olhada, ler as capas, contracapas, lombadas, badanas, percorrer os capítulos, ler os prefácios e os posfácios. E o obrigado às editoras. Às grandes e sobretudo às pequenas que, fora do engenho, são tão mais humanas.

E o humor incisivo do Prof. Osvaldo, a serenidade do Prof. Quintais, a inquietude do Prof. Bebiano e a discrição do Prof. Apolinário.

Vale tanto a pena!

Mas importa saber que entre o lado de cá e o lado de lá dos Livros Ardem Mal, não existe uma linha de separação, mas antes um ponto comum de interesse: os livros e a paixão por eles.

[Se soa a cliché?! O que importa?! Os clichés também se lêem.]

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Marisa Santos

Posted in OLAM, TAGV by OLAMblogue on Domingo, 19-07-2009

Marisa Santos

Marisa Santos é Coordenadora da Frente de Casa do TAGV. Cabe-lhe a preparação do espaço do Café-Teatro para o acolhimento dos intervenientes e do público, e também a coordenação dos assistentes de sala designados para acompanhar a sessão. Assegura a um tempo a funcionalidade do espaço e a hospitalidade do Teatro – o que faz muito bem.

Agradecemos à Marisa tudo o que tem feito pelo OLAM. Bem como o seu depoimento.

 

Das sessões com convidados mais mediáticos – em que o foyer do Café-Teatro do TAGV quase foi insuficiente para acolher tanto público -, às segundas-feiras de ambiente mais “intimista” (mas que, talvez por isso, resultaram em “contributos” de boa disposição e de partilha) fica claramente registada a marca OLAM: um espaço que se afirmou de excelência na promoção e divulgação da literatura e das artes. À volta de pessoas, ideias e histórias, fidelizou-se ainda um novo público, interessado e dedicado, que veio para ficar e que espera a oportunidade para voltar a “habitar” o Teatro.

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Teresa Santos

Posted in OLAM, TAGV by OLAMblogue on Domingo, 19-07-2009

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Teresa Santos é Coordenadora dos Serviços Artísticos e de Produção do TAGV. É ela quem nos envia, no início de cada mês, o cartaz promocional da sessão seguinte e quem trata da divulgação da iniciativa junto dos média. Mais eficiente não se pode ser.

Agradecemos à Teresa a dedicação ao OLAM. E, claro, o depoimento que se segue.

 

Dos três tópicos propostos pela equipa OLAM, opto por desenvolver apenas o primeiro: o que mais me agrada no OLAM.

Agrada-me que já tenha quase três anos de existência. E que ao longo deste período, o projecto tenha sido desenvolvido de forma regular e permanente, cumprindo escrupulosamente o calendário definido. Sempre na primeira segunda-feira de cada mês, sem falhas, sem adiamentos ou cancelamentos. Agrada-me também, que a equipa que promove esta iniciativa não se acomode a um modelo, mas que tente permanentemente melhorá-lo, afiná-lo e reformulá-lo. Todos estes factores contribuíram para que o OLAM conquistasse não só o respeito e a fidelidade do público, mas também dos colaboradores que contribuem modestamente para a produção e organização da iniciativa.

Agrada-me ainda, que a lista de convidados não inclua apenas escritores, mas também pessoas de outras áreas artísticas que, apesar de terem livros editados, não fazem da escrita a sua principal actividade.

À semelhança do que foi acontecendo com a própria iniciativa, também a forma de comunicarmos entre nós, equipa do OLAM e colaboradores do TAGV, foi sendo melhorada e afinada ao longo do tempo. A rotina de trabalho que conseguimos criar permite-nos, por exemplo, produzir o cartaz que promove a iniciativa com um mês de antecedência relativamente à data da sessão, sendo por isso possível divulgá-la, quer na imprensa, quer junto do público com uma maior eficácia.

E, como se tudo isto não bastasse, salientaria ainda os emails do Prof. Osvaldo Silvestre, plenos de um humor sarcástico e, por vezes, quase delirantes, como incentivo adicional para o trabalho a desenvolver para esta iniciativa.

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A nossa equipa no TAGV, um ano mais tarde

Posted in OLAM, TAGV by OLAMblogue on Domingo, 19-07-2009

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Como está dito na coluna da direita deste blogue, logo ao cimo, Os Livros Ardem Mal são uma iniciativa do Centro de Literatura Portuguesa e do Teatro Académico de Gil Vicente, entidades que assim cumprem a sua função de estenderem à comunidade não apenas universitária parte significativa da sua actividade cultural.

Uma iniciativa destas, embora «leve» em termos organizativos, não se faz contudo sem apoio institucional. As instituições, porém, são feitas por pessoas e é a essas que agora nos queremos dirigir para lhes agradecer. No que toca ao CLP, e embora possa parecer que o fazemos em causa própria, o nosso agradecimento vai para o nosso colega António Apolinário Lourenço, cuja eficiência discreta é em grande medida responsável pelo funcionamento da iniciativa. No momento em que se retira das sessões no TAGV, mantendo-se contudo neste blogue, bem como no apoio administrativo à iniciativa, cumpre reconhecer que sem o seu trabalho tudo seria mais difícil.

Quanto ao TAGV, e como aqui deixámos dito há um ano, é do trabalho realizado na sombra por um grupo alargado de pessoas que resulta o que se vê no foyer, na primeira segunda-feira de cada mês, bem como várias das coisas que acabam neste blogue. Por exemplo, as relacionadas com os livros que as editoras nos enviam, por moto próprio ou a solicitação nossa. Optámos este ano por uma modalidade diferente de reconhecimento desse trabalho sem o qual Os Livros Ardem Mal não existiriam: propusemos aos 4 membros principais da equipa que nos enviassem um pequeno depoimento, em torno destes três tópicos: 1) O que vos agrada mais no OLAM; 2) O que vos agrada menos; 3) Uma sessão de que tenham gostado especialmente.

O que aqui fica é pois da responsabilidade das 4 pessoas que respondem. Pessoas que – e cremos ser isso o mais importante – fazem hoje, com os membros permanentes do painel, uma comunidade de gente que aprendeu a apreciar-se e respeitar-se. E que gosta de se reencontrar pelo menos na primeira segunda-feira de cada mês, por volta das 18 h.

A todos os outros funcionários do TAGV que, de uma maneira ou de outra, contribuíram também para tornar possíveis as sessões, o nosso Muito Obrigado.

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OLAM: sessão com José Maria Vieira Mendes

Posted in OLAM by OLAMblogue on Segunda-feira, 06-07-2009

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Hoje, pelas 18 h, no foyer do Teatro Académico Gil Vicente, terá lugar a 10ª sessão de Os Livros Ardem Mal na temporada de 2008/09. O convidado é José Maria Vieira Mendes, dramaturgo, com a sua obra até ao momento reunida no volume Teatro. O painel será constituído por António Apolinário Lourenço, Luís Quintais e Osvaldo Manuel Silvestre, que moderará.

Na primera parte da sessão serão apresentados os seguintes títulos:

  • A. Campos Matos, Eça de Queiroz-Ramalho Ortigão: Retrato da ‘Ramalhal Figura’, Lisboa, Livros Horizonte, 2009 [ISBN 978-972-24-1624-5]
  • 200. Antologia Comemorativa dos 200 Anos de Edgar Allan Poe, Parede, Saída de Emergência, 2009. [ISBN 978-989-637-125-8] 
  • Fernando Pessoa, Sensacionismo e outros Ismos, Ed. de Jerónimo Pizarro, Ed. Crítica de Fernando Pessoa, Col. X, Lisboa, IN-CM, 2009. [ISBN 978-972-27-1663-5]
  • Ian Gibson, El hombre que detuvo a García Lorca: Ramón Ruiz Alonso y la muerte del poeta, Madrid, Punto de Lectura, 2008. [ISBN 978-84-663-2161-7]
  • Jared Diamond, Ascensão e Queda das Sociedades Humanas, Lisboa, Gradiva, 2008. [ISBN 978-989-616-284-9]
  • Ruy Duarte de Carvalho, A Terceira Metade, Lisboa, Livros Cotovia, 2009. [ISBN 978-972-795-282-3]
  • Thomas Mann, A Montanha Mágica, Trad. de Gilda Lopes Encarnação, Lisboa, D. Quixote, 2009. [ISBN 978-972-20-3732-7]
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    OLAM: sessão com Rui Reininho

    Posted in OLAM by OLAMblogue on Segunda-feira, 01-06-2009

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    Hoje, pelas 18 h, no foyer do Teatro Académico Gil Vicente, terá lugar a 9ª sessão de Os Livros Ardem Mal na temporada de 2008/09. O convidado é Rui Reininho, vocalista dos GNR, autor de Sífilis versus Bílitis e Líricas  Come on & Anas. O painel será constituído por Luís Quintais e Osvaldo Manuel Silvestre, que moderará.

    Na primera parte da sessão serão apresentados os seguintes títulos:

  • Adam Philips, Louco para não dar em louco, Cotovia, 2009 [ISBN 978-972-795-281-6]
  • André Tavares, Novela Bufa do Ufanismo em Concreto, Dafne Editora, 2009 [ISBN 978-989-8217-03-5] 
  • Domingos Tavares, Francisco Farinhas: Realismo Moderno, Dafne Editora, 2009 [ISBN 978-989-95159-7-0]
  • Clive Bell, Arte, Lisboa, Texto & Grafia, 2009. [ISBN 978-989-95884-6-2]
  • Edgar Allan Poe, A Narrativa de Arthur Gordon Pym de Nuntucket, Assírio & Alvim, 2009 [ISBN 978-972-37-1348-0]
  • Gabriele Basilico, Arquitectura em Portugal, Dafne Editora, 2009 [ISBN 989-95159-1-4]
  • George Dickie, Introdução à Estética, Lisboa, Bizâncio, 2008. [ISBN 978-972-53-0401-3]
  • Grazia Paganelli, Sinais de Vida. Werner Herzog e o Cinema, Lisboa, Edições 70, 2009. [ISBN 978-972-44-1547-5]
  • Vasco Melo, Máquinas na Paisagem, Dafne Editora, 2009 [ISBN 978-989-95159-9-4]
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    OLAM: sessão com António Pinho Vargas

    Posted in OLAM by OLAMblogue on Domingo, 03-05-2009

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    Hoje, pelas 18 h, no foyer do Teatro Académico Gil Vicente, terá lugar a 8ª sessão de Os Livros Ardem Mal na temporada de 2008/09. O convidado é o músico António Pinho Vargas, que além de pianista, compositor e professor de música é ainda ensaísta com dois livros editados, o mais recente Cinco Conferências (2008). Integrou recentemente, como investigador, o Centro de Estudos Sociais, onde prepara uma tese de doutoramento em Sociologia da Cultura. O painel será constituído por Luís Quintais e Osvaldo Manuel Silvestre, que moderará.

    Na primera parte da sessão serão apresentados os seguintes títulos:

  • Ana Cristina Ferrão, Conta-me Histórias. Xutos & Pontapés, 2ª ed. revista e aumentada, Lisboa, Assírio & Alvim, 2009. [978-972-37-1414-2]
  • André Levy et. al. Evolução: História e Argumentos. Lisboa, Esfera do Caos. [ISBN: 978-989-8025-55-5]
  • André Levy et al. Evolução: Conceitos e Debates. Lisboa, Esfera do Caos. [ISBN: 978-989-8025-75-3].
  • Criatura, nº 3, 2009. [ISBN 978-989-95921-1-7] 
  • Herman Melville, Poemas. Lisboa, Assírio & Alvim. [ISBN 978-972-37-1357-2]
  • John Cheever, Contos Completos I. Lisboa, Sextante. [ISBN: 978-989-8093-87-5]
  • Lawrence Kramer, Porque É a Música Clássica ainda Importante?, Lisboa, Bizâncio, 2009. [ISBN 978-972-53-0410-5]
  • Vitorino Almeida Ventura, As Letras como Poesia, Porto, Afrontamento, 2009. [ISBN 978-972-36-0988-2]
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    Sugestão de Tradução:

  • Dan Sperber, Explaining Culture: A Naturalistic Approach. Blackwell, 1996. [ISBN: 0-631-20044-4]
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    OLAM: sessão com Alexandra Lucas Coelho

    Posted in OLAM by OLAMblogue on Domingo, 05-04-2009

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    Hoje, pelas 18 h, no foyer do Teatro Académico Gil Vicente, terá lugar a 7ª sessão de Os Livros Ardem Mal na temporada de 2008/09. A convidada é Alexandra Lucas Coelho, jornalista do Público e uma das mais consagradas da sua geração, sobretudo na área da grande reportagem e da cultura, com um livro editado sobre o conflito palestiniano, Oriente Próximo (2007). O painel será constituído por Catarina Maia, Luís Quintais, Rui Bebiano e Osvaldo Manuel Silvestre, que moderará.

    Na primera parte da sessão serão apresentados os seguintes livros:

  • A. M. Pires Cabral, Arado, Lisboa, Livros Cotovia, 2009. [ISBN 978-972-795-287-8]
  • Bénédicte Houart, Aluimentos, Lisboa, Livros Cotovia, 2009. [ISBN 978-972-795-284-7]
  • David Baggett e William A. Drumin, A Filosofia Segundo Hitchcock, Lisboa, Estrela Polar, 2008. [ISBN 978-989-8206-08-4]
  • Edgar Allan Poe, Obra Poética Completa, Tinta-da-China, 2009 [ISBN 978-972-8955-93-9]
  • Irvine Welsh, Porno, Quetzal, 2009 [ISBN 978-972-564-759-2]
  • John Keegan, A Máscara do Comando, Lisboa, Tinta-da-China, 2009. [ISBN: 978-972-8955-86-1]
  • Jonah Lehrer, Proust era um Neurocientista, Alfragide, Lua de Papel, 2009. [ISBN 978-989-23-0234-8]
  • Nuno Bragança, Obra Completa 1969-1985, Lisboa, Dom Quixote, 2009. [ISBN 978-972-20-3726-6]
  • Paul Hollander, O Fim do Compromisso. Intelectuais, revolucionários e moralidade política, Lisboa, Pedra de Lua, 2009.[ISBN: 978-989-8142-03-0]
  • Robert Fisk, A Grande Guerra Pela Civilização, Lisboa, Edições 70, 2008. [ISBN 978-972-44-1457-7]
  • Roger-Pol Droit, O Que é o Ocidente?, Lisboa, Gradiva, 2009. [ISBN 978-989-616-297-9]
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    Tuga Rock goes to university?

    Posted in Notícias by OLAMblogue on Sábado, 04-04-2009

    rocktuga

    O colóquio chama-se Poéticas do Rock em Portugal 2009 – Perspectivas Críticas de uma Literatura Menor e tem lugar na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, de 6 a 8 de Abril. Ou seja, começa amanhã, e logo com este senhor. O programa completo pode ser consultado aqui.

    «Hey hey, my my / Rock and roll can never die»

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    Inquérito OLAM: Joana Matos Frias

    Posted in Inquérito by OLAMblogue on Terça-feira, 31-03-2009

    frias

    Joana Matos Frias é professora da Faculdade de Letras da Universidade do Porto. O seu livro O Erro de Hamlet: Poesia e Dialética em Murilo Mendes, venceu o Prémio de Literatura Murilo Mendes, na categoria de Ensaio, tendo sido editado no Rio de Janeiro pela 7 Letras, em 2002. Doutorou-se com uma tese sobre Retórica da Imagem e Poética Imagista na Poesia de Ruy Cinatti. Para as edições Quasi preparou e prefaciou uma antologia de Ana Cristina César. Em colaboração com Luís Adriano Carlos, preparou a edição facsimilada dos Cadernos de Poesia. Tem-se dedicado preferencialmente à literatura portuguesa do período moderno e contemporâneo e, ainda, a questões de teoria literária e retórica e à relação entre a literatura e outras artes. Agradecemos a Joana Matos Frias a disponibilidade para colaborar com o nosso inquérito.

    1) Qual é, em seu entender, o melhor livro de ficção (romance, novela ou conto) portuguesa do século XX? Porquê?

    «Só quem nunca pensou chegou alguma vez a uma conclusão»: a provocação de Pessoa salvaguarda com a finura possível a imprecisão das respostas que se seguem, escudada ainda pelo conhecido parecer de Edmund Burke, «a clear idea is […] another name for a little idea».
    Com alguma pena por a pergunta não ser «de que livro de ficção portuguesa do século XX mais gosta?», terei que responder que o melhor livro de ficção portuguesa do século XX é Para Sempre, de Vergílio Ferreira (1983). Porquê? Porque é o melhor livro da melhor fase do melhor ficcionista português do século XX. Subentenda-se, naturalmente, «no meu entender», mesmo que aqui a subjectividade aspire à validade geral graças à perspectiva crítica mediada pelo próprio juízo de gosto, onde se cruzam a razão e o sentimento. Para Sempre, escrita do limite no limite da escrita, articula a unidade e a totalidade, e portanto o efeito de harmonia, o estado de perfeição e de acabamento, com a a vertigem da imperfeição e a força fragmentária de um discurso que exprime a tomada de consciência do terrível. Belo e Sublime, portanto, Para Sempre é um romance que atinge os princípios estéticos mais antigos no centro nevrálgico da própria Modernidade, que não convive bem — como sabemos — com categorias apriorísticas. De todas as obras de Vergílio Ferreira pós-Aparição, esta é aquela onde melhor se consumam as características que já conferiram ao autor um lugar único na história da literatura portuguesa do século XX: a prevalência do modo lírico num género tendencialmente narrativo — com todas as implicações de expressão e de conteúdo que tal imprevisibilidade acarreta —, o domínio rigoroso e sempre inesperado das categorias da narrativa — muito em particular do tempo, sua raiz estruturante —, e uma profunda reflexão sobre a condição humana, o pensamento, a palavra e a escrita, ou melhor, sobre a escrita como pensamento, e sobre a palavra como o essencial da condição humana.

    (more…)

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    Inquérito OLAM: Gastão Cruz

    Posted in Inquérito by OLAMblogue on Segunda-feira, 23-03-2009

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    Gastão Cruz destacou-se inicialmente na poesia portuguesa como membro do grupo que editou Poesia 61, um dos momentos fortes da poesia portuguesa da segunda metade do século XX. Desde então publicou uma obra poética vasta, reunida já por várias vezes, a última das quais em 1999, no volume Poemas Reunidos. Aos seus livros foram atribuídos os mais significativos prémios literários portugueses (Prémio PEN Clube de Poesia, Prémio D. Dinis, Grande Prémio de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores), tendo a sua última colectânea poética, A Moeda do Tempo (2006), conquistado recentemente o prémio Correntes d’Escritas/Casino da Póvoa 2009. Traduziu poetas e dramaturgos (Blake, Strindberg, Shakespeare), foi um dos fundadores do grupo Teatro Hoje, para o qual encenou várias peças, e dirige a Fundação Luís Miguel Nava, integrando a direcção da revista Relâmpago, editada pela referida Fundação. O seu último livro é A Vida da Poesia, reedição aumentada do livro que inicialmente publicou em 1973 com o título A Poesia Portuguesa Hoje (com 2ª edição em 1999), e que denuncia a preocupação, longa de mais de quatro décadas, de acompanhar criticamente a poesia portuguesa contemporânea, embora não apenas. Agradecemos a Gastão Cruz a disponibilidade para colaborar no nosso inquérito.

    1) Qual é, em seu entender, o melhor livro de ficção (romance, novela ou conto) portuguesa do século XX? Porquê?

    Questão prévia: é claro que não existe “o melhor livro de ficção portuguesa do século XX”; como não existe “o melhor livro de poesia”. Fazer tais escolhas é uma “missão impossível”. E é como “missão impossível” que, assumindo o paradoxo, as perguntas terão de ser respondidas.

    Como decidir não arbitrariamente se A Confissão de Lúcio é melhor que A Farsa, se A Casa Grande de Romarigães é melhor que Os Passos em Volta, se Antigas e Novas Andanças do Demónio (em que está incluído “Super Flumina Babylonis”) ou Os Grão-Capitães (em que se integra essa outra obra-prima do conto que se chama “Homenagem ao Papagaio Verde”) superam Pequenos Burgueses ou Finisterra?

    Só será possível escolher simbolicamente; isto é, indicar um livro que possa representar a ficção portuguesa do século passado no que ela tem de mais intenso e inovador.

    A minha escolha recai sobre A Farsa de Raul Brandão, um livro de 1903, que, há quase quatro décadas, adquiri, na 4 ª edição, com capa de Stuart, das Livrarias Aillaud & Bertrand.

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    Manuel António Pina: Requiem por um sonho

    Posted in Edição, Notícias by OLAMblogue on Sexta-feira, 13-03-2009

    Já foi nosso convidado e, num certo sentido, é-o sempre. Manuel António Pina, um dos cronistas de leitura obrigatória deste país, escreveu hoje um texto, no seu JN, que nos atrevemos a transcrever aqui na íntegra. Por razões de, digamos, solidariedade: com uma certa ideia de livro e com um certo ideal de «intervenção» na área cultural. Tudo isso que sofre mais um sério revés com a  falência da Campo das Letras, uma editora que desde a primeira hora colaborou, de modo exemplar, com Os Livros Ardem Mal. Permita-nos, Manuel António, que façamos nossas, sem a reserva de sequer uma vírgula, as suas palavras.

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    No Livro Sexto da Eneida diz-se que os sonhos nos chegam por duas distintas portas, uma de marfim, a dos sonhos fantasiosos, e outra de corno, a dos sonhos proféticos. Os 15 anos de vida da editora Campo das Letras, cujo fim foi agora anunciado, foram uma permanente disputa entre um sonho desmesurado e fantasioso, o de que é possível uma editora sobreviver em Portugal publicando literatura sem ter que ser um mero entreposto de venda de livros, e a profecia de que um sonho desses acabaria mal.

    A porta que Jorge Araújo, fundador da Campo das Letras, vê fechar-se sobre o seu sonho fecha-nos a todos, os que acreditam que um livro é mais do que uma mercadoria e que a literatura é mais do que um negócio, no pior dos pesadelos. A verdade é que o dolente reino português de hoje não merece homens como Jorge Araújo, gente que, como escreve Sebastião da Gama, pelo sonho é que vai. Se em vez de se ter gasto, e às suas economias, a oferecer-nos milhar e meio de títulos de poesia, ficção e teatro, tivesse investido em títulos bolsistas, Jorge Araújo estaria hoje mais rico. E nós estaríamos mais pobres.

    Manuel António Pina

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    Inquérito OLAM: Luís Miguel Queirós

    Posted in Inquérito by OLAMblogue on Quarta-feira, 11-03-2009

    lmqueiros

    Luís Miguel Queirós nasceu em 1962, no Porto, e é jornalista do Público, onde escreve ocasionalmente sobre poesia. Entre outras publicações, é autor de uma antologia da poesia portuguesa do Século XX – Vingt et un poètes pour un vingtiême siècle portugais – publicada em França em 1994. Agradecemos a Luís Miguel Queirós a disponibilidade para colaborar no nosso inquérito.

    1) Qual é, em seu entender, o melhor livro de ficção (romance, novela ou conto) portuguesa do século XX? Porquê?

    Os Incuráveis de Agustina Bessa Luís. O livro foi publicado em 1956, mas li-o numa edição dos anos 80, em dois volumes. Escolho-o por três razões.
    a) Lembro-me de ter gostado muito do livro, mas nisso não se distingue de outros que me terão dado prazer equivalente quando os li pela primeira vez, como Sinais de Fogo, de Jorge de Sena, ou mesmo, entre outros mais razoavelmente citáveis, um livro que a ninguém, nem a mim, ocorreria considerar determinante na ficção portuguesa do século XX, como Directa, de Nuno Bragança.
    b) O primeiro volume de Os Incuráveis desapareceu-me já há anos, de modo que nunca mais o li e – circunstância decisiva – não posso ir agora confirmar se a predilecção se mantém. Infelizmente (infelizmente para este efeito) conservo os livro de Sena e Bragança, bem como os vários outros que poderia considerar.
    c) Andei a espreitar as respostas anteriores, e pareceu-me que começava a fazer-se sentir um consenso algo entediante em torno de obras, chamemos-lhes assim, híbridas, nas quais a prosa anda um bocadinho próxima de mais dos pressupostos e propósitos da poesia. É claro que nenhum dos livros que citei me provocou uma impressão tão intensa e duradoura como, por exemplo, Os Passos em Volta, de Herberto Helder. Mas essa impressão, sentiu-a, essencialmente, o leitor de poesia, e não o agradecido leitor de Henry James (ou Rex Stout). Estou perfeitamente consciente de que sugerir que temos dois leitores na cabeça, que se chegam à frente consoante os textos que se lhes deparam, não é menos controverso do que admitir que existe uma fronteira (sempre) reconhecível a distinguir a poesia e a prosa do século XX.

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    O Trágico: colóquio no Centro de Literatura Portuguesa

    Posted in Notícias by OLAMblogue on Quinta-feira, 05-03-2009

    tragico3

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    Inquérito OLAM: Alexandre Andrade

    Posted in Inquérito by OLAMblogue on Quinta-feira, 05-03-2009

    alexandre_andrade

    Alexandre Andrade é professor no Instituto de Biofísica e Engenharia Biomédica da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Estreou-se em 1997 com o romance Benoni, tendo publicado em seguida os volumes de contos As Não-Metamorfoses (2004) e Cinco Contos sobre Fracasso e Sucesso (2005) e, ainda, o romance Aqui Vem o Sol (2005). É autor de umblogsobrekleist. Agradecemos a Alexandre Andrade a disponibilidade para colaborar no nosso inquérito.

    1) Qual é, em seu entender, o melhor livro de ficção (romance, novela ou conto) portuguesa do século XX? Porquê?
     
    Mau Tempo no Canal, de Vitorino Nemésio. Esta escolha diz tanto da excelência que reconheço a este romance como à constatação de que os autores essenciais da ficção portuguesa moderna construíram uma obra espalhada no tempo, por meio de aproximações, acrescentos, declinações sucessivas, teses e antíteses respondendo umas às outras através dos anos, aparentemente livres da ambição de redigir A Obra Definitiva que resumisse e dispensasse as restantes. Agustina Bessa-Luís, Vergílio Ferreira, Maria Velho da Costa – todos eles escreveram o “melhor livro de ficção” do século XX, mas a prestações, ao longo de uma vida. Se o objectivo é o de associar um superlativo a um único livro, os candidatos, parece-me, não são legião. Para além do que elegi, ocorrem-me A Casa Grande de Romarigães, Uma Abelha na Chuva, e poucos mais.

    Mau Tempo no Canal consegue conter, sem entrar em colapso, uma absoluta limpidez e uma consciência profunda do que de movediço e insondável encerram os seres humanos. Edificado em moldes essencialmente clássicos, esvazia de sentido qualquer discussão em torno da sua posição na literatura portuguesa, em torno de eventuais dissonâncias com tendências ou correntes, contemporâneas ou por vir. Este romance limita-se a existir, soberbo, mas sem reivindicar. A literatura portuguesa continuaria a ser o que é, com ou sem ele. O facto de não se encontrar em nenhuma encruzilhada dos rumos da ficção nacional é uma virtude inestimável. Ninguém o encontra pela frente como resultado de ter seguido um itinerário, ou por afinidade. Inteiro e agreste, só o encontra quem o deseja encontrar.

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    OLAM: sessão com Mário de Carvalho

    Posted in OLAM by OLAMblogue on Segunda-feira, 02-03-2009

    mariocarvalho 

    Hoje, pelas 18 h, no foyer do Teatro Académico Gil Vicente, terá lugar a 6ª sessão de Os Livros Ardem Mal na temporada de 2008/09. O convidado é Mário de Carvalho, contista, novelista, romancista, cronista e dramaturgo, cuja última obra é o romance A Sala Magenta (2008). O painel será constituído por António Apolinário Lourenço, Catarina Maia, Luís Quintais e Osvaldo Manuel Silvestre, que moderará.

    Na primera parte da sessão serão apresentados os seguintes livros: 

  • Eric Jourdan, Barba Azul, Papão e C.ia, Lisboa, Cavalo de Ferro, 2008. [ISBN 978-989-623-095-1]
  • Eugénio de Andrade, À Sombra da Memória, Famalicão, Edições Quasi, 2008. [ISBN 978-989-552-396-2]
  • Fernando Pessoa [Vicente Guedes-Bernardo Soares], Livro do Desassossego, Edição de Teresa Sobral Cunha, Lisboa, Relógio d’Água [978-972-708-954-3]
  • Francisco Ferreira, Lapinha do Caseiro, Lisboa, Assírio & Alvim, 2008. [ISBN 978-972-37-1387-9]
  • Gastão Cruz, A Vida da Poesia. Textos Críticos Reunidos, Lisboa, Assírio & Alvim, 2008. [ISBN 978-972-37-1364-0]
  • Gustave Flaubert, A Educação Sentimental, Tradução de João Costa, Lisboa, Relógio d’Água, 2008 [978-989-641-039-1]
  • Helena Vasconcelos, A Infância É um Território Desconhecido, Lisboa, Quetzal, 2009. [ISBN 978-972-564-758-5]
  • Imre Kertész, Detective Story, Vintage, 2009. [ISBN 978-0099523390]
  • Jack London, A Mão de Midas, Lisboa, Editorial Presença, 2009. (colecção A Biblioteca de Babel, dirigida por Jorge Luis Borges). [ISBN: 978-972-23-4069-4]
  • Paula Rego e Agustina Bessa-Luís, As Meninas, Lisboa, Guerra e Paz, 2008. [ISBN 978-989-8174-15-4]
  • Pierre Bourdieu, Para uma Sociologia da Ciência, Lisboa, Edições 70, 2008. [ISBN: 978-972-44-1398-3].
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    Inquérito OLAM: Rui Zink

    Posted in Inquérito by OLAMblogue on Quinta-feira, 26-02-2009

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    Rui Zink é professor da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, tendo-se doutorado com uma tese sobre a banda desenhada como narrativa literária. Acompanhou as práticas performativas e experimentais do grupo da Po.Ex. no início dos anos 80 e tem uma obra literária vasta, distribuída por vários domínios: a BD para a qual escreve com frequência, quer se trate de obras com ilustração de Manuel João Ramos, António Jorge Gonçalves, ou Louro; a literatura infantil; o humor; e a ficção, de que se destacam os romances Hotel Lusitano, Apocalipse Nau, O Suplente, ou Dádiva Divina (Prémio do PEN Clube Português, 2005), e ainda volumes de contos como A Palavra Mágica. Publicou uma obra «interactiva», o romance Os Surfistas. Vários dos seus livros estão traduzidos, estando também editado no Brasil. Agradecemos a Rui Zink a sua colaboração no nosso inquérito.

    1) Qual é, em seu entender, o melhor livro de ficção (romance, novela ou conto) portuguesa do século XX? Porquê?

    Comunidade de Luiz Pacheco, que tanto dá em itálico (saiu em livro uno) como com aspas (foi incluída como conto em colectâneas). Porque é um texto que, embora em poucas páginas (ou talvez por isso mesmo), sumula a ficção moderna do século XX: ao mesmo tempo é colagem (à vox populi), é des-colagem (da mens populi), é ficção, é autobiografia, é paródia, é panfleto, é mudanças rítmicas, mescla de níveis (alto, baixo, médio, mediano mesmo), assumida e descaradamente menor, texto feito corpo (e cheiros), obra aberta, romance policial (ou seja, obra fechada) e, last but not least, leva alguns leitores a pensarem/dizerem “ah, isto também eu fazia”.

    2) Qual é, em seu entender, o melhor livro de poesia portuguesa do século XX? Porquê?

    A Reinvenção da Leitura, de Ana Hatherly (1975). Porque cinde, numa unidade, partes convencionalmente separadas: ensaio e poema, signo e sentido, escrita e desenho, caligrafia e radiografia. Que mais posso dizer? Talvez que é muito bonito e faz pensar, se não estivesse fora de uso dizer ingenuidades destas.

    3) Se a pergunta não fosse «qual o melhor» mas sim «qual o mais importante», as suas respostas seriam as mesmas ou seriam diferentes? Em quê, no segundo caso?

    As respostas não seriam necessariamente as mesmas porque o mais importante (que muda, influencia, demarca) nem sempre é “o melhor”. E o mais importante de que ponto de vista? Influência? Impacto no seu tempo? Ponto de viragem? Poderia continuar (e até responder), mas para brincadeiras injustas já tive hoje a minha dose. Ite missa est.

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    Inquérito OLAM: Ida Alves

    Posted in Inquérito by OLAMblogue on Quarta-feira, 18-02-2009

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    Ida Alves doutorou-se em Literatura Portuguesa pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, em 2000, com tese sobre  “Carlos de Oliveira e Nuno Júdice – poetas: personagens da linguagem”.  É professora da Universidade Federal Fluminense-UFF.  Além de exercer atualmente a chefia do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas desse Instituto, coordena o Núcleo de Estudos de Literatura Portuguesa e Africana – NEPA-UFF.   É membro do Pólo de Pesquisa sobre Relações Luso-Brasileiras (PPRLB), sediado no Real Gabinete Português de Leitura do Rio de Janeiro, onde também coordena o Núcleo de Literatura Portuguesa. Integra a equipe de pesquisa Poéticas da Contemporaneidade sobre poesia brasileira e portuguesa, na UFF. Tem vários  artigos publicados em revistas da especialidade, brasileiras e estrangeiras, e co-organizou oito  livros / cds com estudos  sobre literaturas portuguesa e africana. Atualmente desenvolve o projeto de pesquisa intitulado «Figurações e desfigurações da paisagem na poesia portuguesa contemporânea».  É pesquisadora-bolsista  do Conselho Nacional de Pesquisa – CNPq – Brasil. Acaba de publicar, em co-organização com Celia Pedrosa, Subjetividades em Devir – Estudos de Poesia Moderna e Contemporânea, Rio de Janeiro, 7Letras, 2008.

    1) Qual é, em seu entender, o melhor livro de ficção (romance, novela ou conto) portuguesa do século XX? Porquê?

    No prazer de leitura, no prazer do texto, não escapo de dizer, com o à vontade dos apaixonados,  que o melhor livro de ficção de língua portuguesa do século XX é Grande sertão: veredas (1.ed. 1956), de João Guimarães Rosa, por sua densidade humana e  pela caminhada espantosa no sertão da linguagem. Falar de sertão é falar de solidão, de sobrevivência, de luta, de desertos, de sol a pino, de morte e de vida, de Deus e do Diabo, sabendo que “Viver é muito perigoso…”. E a língua portuguesa está lá como paisagem riquíssima de criação.

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    Inquérito OLAM: Eduardo Pitta

    Posted in Inquérito by OLAMblogue on Quinta-feira, 12-02-2009

    pitta

    Eduardo Pitta é poeta, ficcionista e ensaísta. Publicou o seu primeiro livro, a colectânea poética Sílaba a Sílaba, em 1974. Reuniu a sua poesia, em volume antológico, em 1999, sob o título Marcas de Água. Na ficção publicou Persona (2000) e Cidade Proibida (2007). O seu primeiro volume de crítica e ensaio, Comenda de Fogo, é de 2002, datando o mais recente, Metal Fundente, de 2004. Praticou também a diarística em Os Dias de Veneza (2005). É o responsável pela edição da obra de António Botto, de que saíram já dois volumes. Colabora actualmente no suplemento Ípsilon do Público e anima o blogue Da Literatura, tendo reunido uma selecção de posts seus no livro Intriga em Família (2007). Agradecemos a Eduardo Pitta a disponibilidade para colaborar neste inquérito.

    1) Qual é, em seu entender, o melhor livro de ficção (romance, novela ou conto) portuguesa do século XX? Porquê?

    Sinais de Fogo, que Jorge de Sena começou a escrever em 1964 e teve publicação póstuma quinze anos mais tarde. No país que então digeria Finisterra, de Carlos de Oliveira, Sinais de Fogo relativizou a herança modernista, ao mesmo tempo que trazia à nossa literatura o tema sempre escorregadio da virilidade itinerante. Não é despiciendo que o tenha feito com um conseguimento que o resgata de qualquer proselitismo.

    2) Qual é, em seu entender, o melhor livro de poesia portuguesa do século XX? Porquê?

    Poesias de Álvaro de Campos, assim se chama o livro a que Cleonice Berardinelli prefere chamar Poemas de Álvaro de Campos, e Teresa Rita Lopes apenas Poesia, no singular. Estamos sempre a falar do mesmo, sem prejuízo das inclusões e exclusões que distinguem essas três edições. Refazendo o universo “sem ideal nem esperança” que tomou como seu, Campos inventou uma língua nova. E ainda hoje escasseia pólvora para a dinamitar.

    3) Se a pergunta não fosse «qual o melhor» mas sim «qual o mais importante», as suas respostas seriam as mesmas ou seriam diferentes? Em quê, no segundo caso?

    Seriam as mesmas, porquanto, num caso e noutro, a questão do “gosto” coincide com o reconhecimento de que tanto Sena como Campos mudaram o paradigma. Sena, pela ousadia do romance contador de histórias (o pleonasmo é intencional) em tempo de rarefacção. O outro engenheiro por obrigar a poesia a pensar, em detrimento do volteio.

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    Inquérito OLAM: Pedro Eiras

    Posted in Inquérito by OLAMblogue on Sábado, 07-02-2009

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    Pedro Eiras é professor da Faculdade de Letras do Porto. Publicou ensaios, tendo o seu livro Esquecer Fausto. A Fragmentação do Sujeito em Raul Brandão, Fernando Pessoa, Herberto Helder e Maria Gabriela Llansol conquistado o Pémio do PEN Clube Português de Ensaio. Publicou ainda obras sobre poesia, sobre Gonçalo M. Tavares e Maria Gabriela Llansol, entre outros. Publicou ainda vários volumes de teatro e ficção. Os Três Desejos de Octávio C. é o seu último livro. Agradecemos a Pedro Eiras a sua disponibilidade para responder ao nosso inquérito.

     1) Qual é, em seu entender, o melhor livro de ficção (romance, novela ou conto) portuguesa do século XX? Porquê?
     
    2) Qual é, em seu entender, o melhor livro de poesia portuguesa do século XX? Porquê?

    3) Se a pergunta não fosse «qual o melhor» mas sim «qual o mais importante», as suas respostas seriam as mesmas ou seriam diferentes? Em quê, no segundo caso?

    A minha resposta terá sempre de começar em clave melancólica, elegíaca: como escolher só um livro, de cada vez, entre tantos, entre todos, etc.? Lamento irresolúvel: ou aceito a regra do jogo, ou não posso jogar. Passo? Não: jogo.

    Mas é mais complicado: porque eu não sei, de todo, o que é ser “melhor” ou “mais importante”. Por exemplo: “melhor” é “mais perfeito”? Mas – e se eu desejo a imperfeição? A perfeição tem algo de tautológico: um livro esgota o projecto que propõe. E há imenso mérito nesse ser perfeito, perfectum, acabado. Fascínio de Finisterra ou de Clepsidra, por exemplo. Paradoxo de Pessoa: Mensagem é “melhor”, mas eu prefiro Alberto Caeiro.

    Há também, pois, o inacabado. Quantas vezes os textos que me dão mais júbilo – aí está outro critério, outra pergunta – não são forçosamente “imperfeitos”? A dissimetria, as lacunas, o diferimento seduzem-me. É porque me perturbam que Húmus ou a Poesia Toda de Herberto Helder me fascinam. Deleuze: gaguez, literatura menor. Klee: pintar com a mão esquerda.

    Também tenho dificuldade em compreender o que seja “mais importante”: para mim? para os leitores, via reescrita, intertextualidade? para a “história da literatura”? Aqui, a leitura talvez se cruze com o mito e mais mil acidentes, modas, perspectivas fugazes. O que “melhor” tem de centrípeto, “mais importante” tem de centrífugo. Ainda assim, eu poderia responder: Álvaro de Campos, Poesia, por quanto tem de seminal, de reescrevível (escrevível contra, às vezes? sim, também).

    Será que posso responder assim – e ainda reciclar as perguntas, com um pequeno desvio, perguntando a mim próprio agora não qual é o melhor livro, não o mais importante, mas sim: o que me interessa ler neste momento? Porque esta resposta, que vou gaguejando, só pode implicar o meu instante, falível. E assim responderia a todas as questões: Maria Gabriela Llansol. Qualquer livro. Se é preciso um título: O Livro das Comunidades, mas é só uma metonímia. E respondo a todas as questões, porque, para mim, O Livro das Comunidades é ficção e poesia ao mesmo tempo, é melhor porque tão imperfectum, e é mais importante porque tão reescrevível (e contudo, não…).

    Este é o meu instante. Como sairia eu do instante? Amanhã, precisarei de outros livros: há tantos séculos XX como instantes – o século XX é aquilo que eu invento agora. E agora é tão grande.

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    Lux Interior: Alive & Kicking

    Posted in Música by OLAMblogue on Quinta-feira, 05-02-2009

    Os média informam que Lux Interior, vocalista emérito dos Cramps, morreu.  Ou, como se diz no mundo anglo, R.I.P. As nossas fontes, porém, garantem-nos que as notícias da morte de L.I. são prematuras, tanto como a sugestão de que Lux possa algum dia «repousar em paz» é pelo menos absurda (luz interior sempre ele teve em excesso…). A verdade, que revelamos apenas aos nossos fiéis mais próximos, e mediante password restritiva, é que Lux Interior se encontra algures, numa jam session com Elvis, Syd Barrett, Johnny Cash e Joe Strummer. «Alegadamente», esse algures é o Napa State Mental Hospital, onde Lux & muchachos tocaram para a lenda há mais de 30 anos.

    De facto, que melhor local para uma encenação punkabilly do Juízo Final?

    Hey, I’m on my way, on a journey outta this world…

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    OLAM: sessão com Nuno Júdice

    Posted in Notícias, OLAM by OLAMblogue on Segunda-feira, 02-02-2009

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    Hoje, pelas 18 h, no foyer do Teatro Académico Gil Vicente, terá lugar a 5ª sessão de Os Livros Ardem Mal na temporada de 2008/09. O convidado é Nuno Júdice, poeta, ficcionista, dramaturgo, ensaísta, recém-nomeado director da Colóquio/Letras. O painel será constituído por António Apolinário Lourenço, Luís Quintais e Osvaldo Manuel Silvestre, que moderará.

    Na primera parte da sessão serão apresentados os seguintes livros:

  • Rui Lage, Corvo, Famalicão, Quasi Edições, 2008. [ISBN 978-989-552-397-9]
  • António Pinho Vargas, Cinco Conferências. Especulações Críticas sobre a História da Música no Século XX, Lisboa, Culturgest, 2008. [ISBN 978-972-769-064]
  • Oliver Sacks, Musicofilia. Histórias sobre a Música e o Cérebro, Lisboa, Relógio d’Água, 2008. [ISBN 978-972-708-997-0]
  • David Lodge, A Consciência e o Romance, Porto, Asa, 2008. [ISBN 978-989-23-0368-0]
  • Manuel Loff, O nosso Século é Fascista. O Mundo Visto por Salazar e Franco (1936-1945), Porto, Campo das Letras, 2008. [ISBN: 978-989-625-256-4]
  • Richard Zenith, Fernando Pessoa (Fotobiografias Século XX), Lisboa, Círculo de Leitores, 2008. [ISBN: 978-972-42-4349-8]
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    Inquérito OLAM: Carlos Mendes de Sousa

    Posted in Inquérito by OLAMblogue on Sábado, 31-01-2009

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    Carlos Mendes de Sousa é professor de literatura brasileira na Universidade do Minho. É autor de um livro de referência sobre Eugénio de Andrade (1992), organizou, com Eunice Ribeiro, uma Antologia da Poesia Experimental Portuguesa (2005)  e publicou ensaios fundamentais sobre Cesário Verde, Jorge de Sousa Braga, Fiama Hasse Pais Brandão, Luís Miguel Nava ou Eduardo Lourenço, muitos deles publicados na revista Relâmpago, de que é um dos directores. Na literatura brasileira dedicou-se por longo tempo a Clarice Lispector, daí tendo resultado uma obra maior na bibliografia sobre a autora, Clarice Lispector. Figuras da Escrita (2000), obra com a qual conquistou o Grande Prémio de Ensaio da APE. Para o Curso Breve de Literatura Brasileira, colecção dirigida por Abel Barros Baptista nos Livros Cotovia, posfaciou os volumes Laços de Família, de Clarice Lispector, e A Educação pela Pedra, de João Cabral de Melo Neto. Agradecemos a Carlos Mendes de Sousa a disponibilidade para colaborar no nosso inquérito.

    1) Qual é, em seu entender, o melhor livro de ficção (romance, novela ou conto) portuguesa do século XX? Porquê?

    Conversações com Dmitri e outras Fantasias, Agustina Bessa-Luís

    O que superlativa as escolhas (“o melhor”, “o mais importante”), remeto-o para um qualquer impacto revisitado (exercício da memória para livros que, em mais do que um momento, me moveram). O que amanhã pode não ser.

    Um dos grandes fascínios que Agustina suscita prende-se com a possibilidade que a todo o momento nos é oferecida de operarmos cortes na teia ficcional da sua vasta obra e, com esses cortes, recompormos quadros (microficções). Imagino diversos exercícios antológicos.

    Conversações com Dmitri, no seu prodigioso recorte parabólico, poderia ser perfeitamente um exemplo maior dessa possibilidade, exemplo oferecido pela própria escritora, como quem se ri. Este breve livro de ficções é enganadoramente apresentado nas listas das obras da autora sob a categoria “crónicas”. E se em Agustina não encontro um livro absolutamente fechado, como esse extraordinário A Casa Grande de Romarigães, de Aquilino, é porque, em certo sentido, a sua admirável obra ficcional vive numa insubordinação face às constrições delimitativas dos géneros (leia-se como romance o belíssimo Longos Dias Têm Cem Anos).

    Outras razões para escolher Conversações com Dmitri: como no resto da obra, a expressão fabular contém no seu interior a sua questionação; como no resto da obra, a genial narradora (autora, personagem) espreita (insinua-se, intromete-se) sábia, inquietante e irrequieta. A capacidade de deslocar e de surpreender ocorre continuamente nos retratos e situações convocados para o seu texto – uma convivência fantástica e transfiguradora. Porque nela tudo é reinvenção, imaginação, fulguração, pensamento vivo, brincadeira desconcertantemente séria. “Desordem e travessura”, como lemos nessa espécie de legenda, num dos títulos deste livro.

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    Inquérito OLAM: Fernando Cabral Martins

    Posted in Inquérito by OLAMblogue on Sábado, 24-01-2009

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    Fernando Cabral Martins é professor da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Um dos mais reputados especialistas portugueses do Modernismo, e da sua anunciação em Cesário Verde e no simbolismo, tem obra vasta sobre o período, tendo estudado as obras de Mário de Sá-Carneiro, que também editou, de Fernando Pessoa, sendo responsável directo por vários volumes da edição em curso na Assírio & Alvim, e de Almada Negreiros, cuja edição recente na mesma casa editorial vem coordenando. Coordenou um recente, e monumental, Dicionário de Fernando Pessoa e do Modernismo Português. Preparou ainda, a sós ou em colaboração, edições da obra de Luiza Neto Jorge e Alexandre O’Neill. Deu rosto e voz a Pessoa em Conversa Acabada, filme de João Botelho, de 1981. É também autor de uma singular obra ficcional, cujos últimos títulos são O Deceptista, 2003, e Viagem ao Interior, 2004. Agradecemos a Fernando Cabral Martins a sua disponibilidade para colaborar no nosso inquérito.

    1) Qual é, em seu entender, o melhor livro de ficção (romance, novela ou conto) portuguesa do século XX? Porquê?
     
    2) Qual é, em seu entender, o melhor livro de poesia portuguesa do século XX? Porquê?

    Creio que os dois livros mais importantes do século XX são o Livro do Desassossego de Pessoa, o grande livro de poesia, e Mau Tempo no Canal de Nemésio, o grande livro de ficção narrativa.

    No caso de Pessoa, segundo o modo da explosão radical e de uma fragmentação absoluta (e apta, portanto, a tremendas oscilações editoriais) mas que, ainda assim e em permanente surpresa, guarda muitos momentos de contemplação e de intensidade. É o caso mais devastador que existe de uma poesia que se mostra, no fulgor das palavras enquanto tais, inteiramente um monólogo exterior.

    No caso de Nemésio, segundo o modo da descrição que revela e inclui num caleidoscópio todas as sensações contadas, como se todos os aspectos do que chamamos realidade, física, cultural ou emocional, se tornassem transparentes e entrassem num estado de íntima correspondência.

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    2008 Vintage

    Posted in Balanço by OLAMblogue on Quinta-feira, 15-01-2009

    figo

    Nos próximos dias, alguns membros deste blogue procederão à selecção do melhor da colheita de 2008, em várias áreas: 1) Blogues; 2) Bloggers; 3) Livros (literatura e ensaio); 4) Editoras; 5) Filmes; 6) Dvd. Decidiu-se restringir as escolhas aos melhores 3 em cada item, com a devida justificação de cada escolha. Os colaboradores deste blogue elegerão os melhores nas áreas da sua predilecção, não sendo obrigatório percorrê-las todas. Como não houve consenso sobre a matéria, o futebol ficou de fora.

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    Este blogue segue dentro de momentos…

    Posted in Efemérides by OLAMblogue on Segunda-feira, 12-01-2009

    ronaldo

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    Inquérito OLAM: Arnaldo Saraiva

    Posted in Inquérito by OLAMblogue on Domingo, 11-01-2009

    arnaldo_saraiva

    Arnaldo Saraiva é Professor Catedrático da Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Foi um dos fundadores do Centro de Estudos Pessoanos, que entre o final dos anos 70 e o início dos anos 80 viria a editar Persona, até hoje a mais importante revista dedicada a Fernando Pessoa, e a organizar os primeiros congressos de Estudos Pessoanos, lançando a maré alta da recepção do autor. Tem produção vasta sobre diversos aspectos da obra pessoana, tendo visto o seu volume sobre o Pessoa tradutor de poesia editado no Brasil. Dedicou-se à noção de Literatura Marginal/izada, tendo editado dois volumes de ensaios sobre a matéria. Professor, por muitos anos, de literatura brasileira, estudou vários autores brasileiros, com especial atenção ao século XX e às relações entre o modernismo português e o brasileiro, a que dedicou uma obra de referência entretanto publicada no Brasil, e organizou vários congressos de literatura brasileira na sua Faculdade de Letras. Preside à Fundação Eugénio de Andrade, tendo sido director da revista da Fundação, Cadernos de Serrúbia. O seu último livro publicado é a tradução da poesia de Guilherme de Aquitânia. Agradecemos a Arnaldo Saraiva a gentil colaboração com o nosso inquérito.

    1) Qual é, em seu entender, o melhor livro de ficção (romance, novela ou conto) portuguesa do século XX? Porquê?

    Perguntas deste tipo lembram-me sempre uma frase do Hospital das Letras que D.Francisco Manuel de Melo colocou na boca de Bocalino:”Não há matéria no mundo mais perigosa que medir sangues e pesar talentos”. E neste caso o perigo não vem mais de nomear (uma, ou duas, entre várias obras de grande qualidade, mas de diversa modalidade ou extensão) do que de justificar. Porque só no acto de leitura ou dos seus efeitos se pode ter a única justificação satisfatória. Esquecido o risco, permito-me entender “ficção portuguesa” por “ficção em português”, pois há muito acho aberrante a divisão nacional ou nacionalista da literatura escrita na mesma língua (e às vezes até em línguas diferentes). Assim, anteponho o Grande Sertão:Veredas ao Livro do Desassossego, não porque um tenha sido fixado pelo autor (há exactamente 50 anos) e o outro se a abra a distintas montagens, não porque um seja uma corrida narrativa de cruzadas memórias e o outro seja estruturalmente fragmentário, não porque um prefira o espaço sertanejo e o outro o espaço urbano, não porque um promova a figura do herói e outro a do anti-herói, não porque um seja “contado”por um velho ex-jagunço e o outro “escrito” por um guarda-livros; é para mim claro que se trata dos dois mais sólidos “monumentos” da ficção portuguesa do século XX, mas parece-me impossível dizer qual deles é estilisticamente o mais envolvente e de conteúdo mais substancial, ou o mais relevante na referência às “profundas profundezas” do homem e da vida, e nas projecções simbólicas e míticas. Se a referência, a metáfora ou a alegoria do  “sertão” (e das suas “veredas”), pode ser tão rica e complexa como a da “cidade” (e das suas ruas), ela permitiu a Guimarães Rosa fazer uma mais extensa travessia (palavra bem ao gosto rosiano) do tempo e do espaço. Neste, que por sinal é o dos “gerais” (“campos gerais” de “Minas Gerais”), entra por exemplo uma exuberante natureza física, vegetal e animal que Bernardo  Soares de todo desconheceu; quanto ao tempo, no romance do mineiro não encontramos só alguma atmosfera típica dos inícios do sec. XX pois facilmente encontramos sugestões arcaicas, quer no comportamento dos homens e na sua ideologia maniqueísta (Deus e o Diabo, o Bem e o Mal), quer na linguagem e nos modelos intertextuais (lendas medievais, contos populares, novelas de cavalaria, romances do romanceiro, a começar pelo que amplia da “donzela que foi à guerra”, a que é fiel até na revelação de Diadorim/Diadorina; Machado de Assis, de que supostamente Rosa não gostava, teria mantido a ambiguidade…). Diferentemente de Pessoa/Soares, que só por excepção se afastou dos cânones da língua, Rosa/Riobaldo  valeu-se sistematicamente de arcaísmos, populismos e  neologismos, lexicais e sintácticos, recorrendo a numerosas e já inventariadas técnicas; para tornar mais autêntica ou verosímil a narrativa que pôs na boca do ex-jagunço, o escritor mineiro achou por bem simular uma oralidade que afinal pode parecer inverosímil, por fazer do sertanejo um mestre de língua e literatura, como os pastores de Virgílio, mas que implica  uma  revolução linguística e literária como há séculos não se via numa obra em português. O Grande Serão:Veredas é bem a obra de quem achava que é preciso renovar a língua para “renovar o mundo”, e que é preciso “escrever para setecentos anos.Para o Juízo Final.”

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    Sessão com Rui Tavares

    Posted in Notícias by OLAMblogue on Segunda-feira, 05-01-2009

    Rui Tavares

    Mais uma sessão de Os Livros Ardem Mal, nesta 2ª feira, dia 5, pelas 18 horas. No Café-Teatro do TAGV, em Coimbra. A alguns dos agora seis membros habituais do painel juntar-se-á desta vez, numa conversa a pretexto de livros, de leituras e de leitores, o historiador, comentador político e cronista Rui Tavares.

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    Inquérito OLAM: Gonçalo M. Tavares

    Posted in Inquérito by OLAMblogue on Sábado, 03-01-2009

    goncalomtavares

    Gonçalo M. Tavares é autor de mais de duas dezenas de livros, publicados desde Dezembro de 2001. Publicou poesia, textos de classificação difícil, do ponto de vista de uma teoria dos géneros, e ficção. Com Água, Cão, Cavalo, Cabeça, 2006, venceu o Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco (Câmara Municipal de Famalicão/APE). Com O Senhor Valéry (2002), vencedor do Prémio Branquinho da Fonseca (Fundação Calouste Gulbenkian/Expresso), iniciou a série «O Bairro», que conta já com quase uma dezena de títulos, o último dos quais O Senhor Breton e a Entrevista. Com o romance Jerusalém, 2004, da série Livros Pretos (iniciada com Um Homem: Klaus Klump, 2003, a que se seguiram o referido Jerusalém, A Máquina de Joseph Walser, 2004, e Aprender a Rezar na Era da Técnica, 2007), venceu o Prémio José Saramago, o Prémio LER/Millenium-BCP e o Prémio Portugal Telecom de Literatura 2007 (Brasil). Várias das suas obras têm sido adaptadas ao teatro. Estão em curso traduções e edições dos seus livros em cerca de dezena e meia de países. Agradecemos a Gonçalo M. Tavares a sua colaboração no nosso inquérito.

    1) Qual é, em seu entender, o melhor livro de ficção (romance, novela ou conto) portuguesa do século XX? Porquê?

    2) Qual é, em seu entender, o melhor livro de poesia portuguesa do século XX? Porquê?

     3) Se a pergunta não fosse «qual o melhor» mas sim «qual o mais importante», as suas respostas seriam as mesmas ou seriam diferentes? Em quê, no segundo caso?

    Várias perguntas com direcções distintas podem ter como resposta um único nome se o objecto da resposta for uma coisa inclassificável e forte e se nos nossos instrumentos de análise usarmos o método da implosão intencionalmente dirigido.

    Numa implosão tudo cai sobre um ponto, um centro não visível, mas que existe. Claro que depois há destroços por arrumar, despejar, tapar, fazer desaparecer. E, claro: há muito mais mundo do que aquele mundo circunscrito.

    Há ainda e sempre ressaltos, contágios, partículas que deveriam ter ficado no centro ou no espaço que o rodeia e que, afinal, se comportaram de modo inadequado. De qualquer forma, uma implosão impõe respeito (uma destruição para dentro, uma destruição bem-educada, uma destruição que não pisa a linha definida).

    O Livro do Desassossego de Fernando Pessoa-Bernardo Soares é esse ponto central do século XX (tempo) e do país (espaço). Um século e uma superfície caem num ponto.

    Logo no início de um livro em que hoje pego (Corpo e Imagem, de José Bragança de Miranda) cita-se o Livro do Desassossego: “se o coração pudesse pensar pararia”. Não me lembro desta frase, mas ela estará lá. Tal como muitas outras.

    A implosão de que falamos refere-se também aos diferentes géneros. “Se o coração pudesse pensar pararia”; esta frase pode ser vista como um verso, ou como a pequena parte de um romance, ou como coisa que vai a caminho do ensaio ou, simplesmente (voltando ao início), como uma frase.

    No livro que referi cita-se o Desassossego enquanto se reflecte sobre a imagem. Nos livros em que se estuda tudo o resto que não a imagem, também se poderia citar o Desassossego de Pessoa. Para qualquer assunto, enfim, encontraremos uma citação vinda do livro. Uma frase (a anterior) que também pode ser ouvida quando se fala de livros religiosos.

    Eis, pois, os efeitos evidentes de uma implosão: tudo o que antes parecia ocupar muito espaço e tudo o que antes parecia tão diferenciado é agora coisa uniforme concentrada no mínimo.

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    Julio Cortázar: Poema de Ano Novo

    Posted in Efemérides by OLAMblogue on Quinta-feira, 01-01-2009

    fireworks

    HAPPY NEW YEAR

    Mira, no pido mucho,
    solamente tu mano, tenerla
    como un sapito que duerme así contento.
    Necesito esa puerta que me dabas
    para entrar a tu mundo, ese trocito
    de azúcar verde, de redondo alegre.
    ¿No me prestás tu mano en esta noche
    de fìn de año de lechuzas roncas?
    No puedes, por razones técnicas.
    Entonces la tramo en el aire, urdiendo cada dedo,
    el durazno sedoso de la palma
    y el dorso, ese país de azules árboles.
    Así la tomo y la sostengo,
    como si de ello dependiera
    muchísimo del mundo,
    la sucesión de las cuatro estaciones,
    el canto de los gallos, el amor de los hombres.

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    Inquérito OLAM: Abel Barros Baptista

    Posted in Inquérito by OLAMblogue on Quarta-feira, 31-12-2008

    abel

    Abel Barros Baptista é professor da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, onde ensina literatura brasileira. É um dos grandes especialistas de hoje sobre Camilo Castelo Branco e Machado de Assis, autores a que dedicou obras de referência. No caso de Camilo, editou Camilo e a Revolução Camiliana, e O Inexorável Romancista, tendo ainda preparado uma edição anotada das Novelas do Minho. Quanto a Machado, é autor de duas obras de referência, ambas editadas também no Brasil. Com a segunda dessas obras, Autobibliografias, conquistou o Grande Prémio de Ensaio da Associação Portuguesa de Escritores. Além desses dois livros, publicou vários ensaios sobre Machado, preparou e prefaciou edições dos contos e romances do autor. Coordenou a mais notável colecção de literatura brasileira editada em Portugal, o Curso Breve de Literatura Brasileira, nos Livros Cotovia. Organizou ainda um volume colectivo sobre A Cidade e as Serras. É ainda cronista, actualmente com coluna na LER, tendo reunido as suas crónicas nos volumes A Infelicidade pela Bibliografia e Ensaios Facetos. Foi, até há pouco, director adjunto da Colóquio-Letras. Agradecemos a Abel Barros Baptista a disponibilidade para colaborar no nosso inquérito.

    Time flies like an arrow, fruit flies like a banana.
    Groucho Marx

    A liberdade exige que se responda aos inquéritos com a insubordinação. A minha resposta é insubordinada em três instâncias.

    1) Qual é, em seu entender, o melhor livro de ficção (romance, novela ou conto) portuguesa do século XX? Porquê?

    Se calhar porque a palavra «inquérito», depois do 25 de Abril, se tornou tão frequente como odiosa (depois de associação a perseguições e investigações policiais, ficou associada a grandes acidentes ou grandes catástrofes ou grandes crimes…), inquéritos como este passaram de moda, e apenas se praticam por insistência a meu ver anacrónica. Os suplementos literários dos jornais, quando existiam, praticavam muito o género. Digo o género, porque disso se trata e daí a razão do anacronismo: o inquérito é um procedimento para saber ou fingir que se quer saber, mas este tipo de inquéritos visa mais mostrar que, sobre o que perguntam, há muito a dizer mas nada se pode saber em definitivo: o inquérito vale pela sucessão das respostas, plurais, diversificadas, irredutíveis. Ora eu pretendo justamente restabelecer o uso regular da palavra e declarar quais são os livros mais importantes e os melhores (digo já que não distingo importantes de melhores, pois coincidem), não porque eu assim o entenda, mas porque eles indiscutivelmente o são. Ou seja, vou declarar agora a verdade que tornará inútil o curso do inquérito, o havido e o por haver.

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    A propósito de nascimentos

    Posted in Efemérides by OLAMblogue on Quinta-feira, 25-12-2008

    O poema foi traduzido por Herberto Helder e incluído no volume Magias (1988). É «pertença» dos Dincas, do Sudão. E é a nossa contribuição para a data que hoje se assinala: 

    No tempo em que Deus criou todas as coisas,
    criou o sol,
    e o sol nasce, e morre, e volta a nascer;
    criou a lua,
    e a lua nasce, e morre, e volta a nascer;
    criou as estrelas,
    e as estrelas nascem, e morrem, e voltam a nascer;
    criou o Homem,
    e o homem nasce, e morre, e não volta a nascer.

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    Inquérito OLAM: Rita Taborda Duarte

    Posted in Inquérito by OLAMblogue on Terça-feira, 23-12-2008

    rita2

    Rita Taborda Duarte foi docente na Faculdade de Letras do Porto e na Universidade da Beira Interior, leccionando actualmente na Escola Superior de Comunicação Social de Lisboa. Estreou-se no DNJovem, publicou em diversas revistas (Ópio, Bíblia, Número, Canal, Di Versos, Hablar/Falar de Poesia) e fez crítica no suplemento literário do Público, Mil Folhas. Fez Mestrado em Teoria da Literatura, com tese sobre Crítica e Representação: Da Aporia na Crítica de um texto Poético.  Publicou poesia – Poética Breve (1998), Na Estranha Casa de Um Outro (2006), Experiências Descritivas (2007, com André Barata) – e literatura infantil: A Verdadeira História de Alice (2004, Prémio Branquinho da Fonseca), A Família dos Macacos (2006), Os Piolhos do Miúdo e Os Miúdos do Piolho (2007), e os muito recentes Sabes, Maria, o Pai Natal não Existe (2008) e O Tempo Canário e o Mário ao Contrário (2008), todos eles ilustrados por Luís Henriques. Agradecemos a Rita Taborda Duarte a sua pronta colaboração neste inquérito.

    1) Qual é, em seu entender, o melhor livro de ficção (romance, novela ou conto) portuguesa do século XX? Porquê?

    Haverá uma tendência humana, provavelmente com assento fixo no código genético, para confundir, dispersar, baralhar e passar ao lado. É o que acontece nos congressos e encontros literários: o público arremessa uma pergunta sem relação com o que foi dito e o orador, solícito, arremata com uma resposta que nem tangencialmente toca a pergunta feita e por assim em diante, para satisfação de todos, ouvintes e oradores. Terá sido por isto que este inquérito nos tenta cortar as vazas logo à chegada, com notas e indicações a chamar-nos à realidade das perguntas: põe parênteses a indicar os subgéneros da ficção (conto, romance, novela) e lá se vai o Livro do Desassossego; chama a atenção para o objecto livro e lá se esfuma novamente o Livro do Desassossego, a pairar entre a edição da Europa-América e a mais recente do Richard Zenith. Mas há livros feitos da mesma massa do que os homens que os escrevem e que com eles partilham os genes menos práticos, menos pragmáticos, e que desarranjam a previsibilidade das regras: Finisterra. Paisagem e Povoamento, de Carlos de Oliveira. Um livro que inventa a percepção, o acto físico de ver por meio da linguagem, que aqui simula a linguagem sem tempo, sincrónica, da poesia. Nunca percebi se aquela indicação “Romance”, logo na capa, da edição da Sá da Costa, era uma indicação de género ou uma continuidade do título. Mas, para aqui, atesta a validade da resposta.      

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