Os Livros Ardem Mal

Outra vez Pessoa

Posted in Autores, Recensões by A. Apolinário Lourenço on Segunda-feira, 09-02-2009

pessoa1Richard Zenith, que se tornou conhecido sobretudo através das suas edições e traduções do Livro do Desassossego, é hoje um dos especialistas mais reputados da obra pessoana, ao qual devemos também, por exemplo, boas edições de A educação do estóico e do Heróstrato. A Fotobiografia de Fernando Pessoa que agora nos apresenta integra-se numa colecção de Fotobiografias de personalidades portuguesas do Século XX, editada pelo Círculo de Leitores e coordenada por Joaquim Vieira, e podemos dizer que tem a sua génese nas “Notas para uma biografia factual”, que servia de posfácio ao volume Escritos autobiográficos, automáticos e de reflexão pessoal, editado em 2003 pela Assírio & Alvim.

O maior mérito de Zenith como biógrafo consiste em nada dar por adquirido ou definitivo, sem antes analisar os factos de acordo com os documentos existentes e com o seu próprio critério de razoabilidade. Foi assim que descobriu, há já alguns anos, e contrariando uma tradição fixada por João Gaspar Simões e com alguns decénios de vigência, que foi em 1909 e não em 1907 que Fernando Pessoa criou o seu primeiro empreendimento empresarial, a malograda Tipografia e Editora Íbis.

No presente trabalho, realço sobretudo a reprodução de um documento da Direcção Geral dos Serviços de Censura à Imprensa que proíbe que seja dado “relevo ao que sobre Maçonaria publicou o Diário de Lisboa, em artigo de Fernando Pessoa, a propósito do projecto do Dr. José Cabral sobre Associações Secretas”.

Defeitos? Digamos que Richard Zenith é excessivamente generoso a atribuir a qualidade de heterónimos a figuras inventadas por Fernando Pessoa (por exemplo, ao Chevalier de Pas), quando o poeta só admitia essa designação para personalidades literárias, com obra produzida, e mesmo assim só para algumas (muito poucas, por sinal).

Convém, creio, não esquecer o que significava originariamente a palavra heterónimo, que Fernando Pessoa parece ter conhecido tardiamente, mas de que se apropriou ao ponto de lhe mudar o sentido. Se consultarmos o Grande Diccionario Portuguez ou Thesouro da Lingua Portugueza pelo Dr. Fr. Domingos Vieira, publicação feita sobre o manuscripto original, inteiramente revisto e consideravelmente augmentado (vol. III, Porto, Ernesto Chardron e Bartholomeu H. de Moraes, 1873, pp. 972), encontramos a seguinte entrada: “Auctor heteronymo; auctor que publica um livro sob o nome veridico de uma outra pessoa”.

Richard Zenith (2008), Fernando Pessoa (Fotobiografias Século XX), Lisboa, Círculo de Leitores [ISBN: 978-972-42-4349-8]

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Os irmão siameses

Posted in Autores, Comentários, Livros by A. Apolinário Lourenço on Segunda-feira, 09-02-2009

fascista

Com “O nosso século é fascista!” O mundo visto por Salazar e Franco (1936-1945), Manuel Loff demonstra, com argumentos tão sólidos e tão pesados como as nove centenas e meia de páginas que constituem o livro, que, até ao triunfo dos aliados na Segunda Guerra Mundial, os dois ditadores peninsulares estiveram plenamente empenhados na construção da “Nova Ordem” almejada pelo fascismo italiano e pelo nacional-socialismo alemão. Trata-se de uma adaptação da sua tese de doutoramento realizado no Instituto Universitário Europeu, de Florença.

Professor da Universidade do Porto, Manuel Loff é, sem qualquer dúvida, um dos maiores especialistas na história das ditaduras ibéricas novecentistas, tendo já publicado em 1996 o livro intitulado Salazarismo e Franquismo na época de Hitler. Para breve, fica a promessa de um outro volume extraído da parte final da sua tese de doutoramento sobre “racismo, anti-semitismo e percepção/conhecimento do Holocausto no Salazarismo e no Franquismo até 1945”.

A “coisa” promete!

Manuel Loff (2008), “O nosso século é fascista!” O mundo visto por Salazar e Franco (1936-1945), Porto, Campo das Letras, [ISBN: 978-989-625-256-4]

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O «outro» Quaresma

Posted in Autores, Crítica, Recensões by A. Apolinário Lourenço on Quarta-feira, 09-07-2008

Uma leitura fora da Quaresma, aqui.

António Apolinário Lourenço

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Ainda a propósito dos 120 anos de Pessoa

Posted in Autores by A. Apolinário Lourenço on Sexta-feira, 13-06-2008

Tendo como referência a comemoração dos 120 anos do nascimento de Fernando Pessoa, o poeta José Luiz Tavares resolveu brindar alguns escritores e críticos portugueses com o poema que – com a devida autorização do autor – a seguir transcrevemos (A.A.L.).

MADRUGADA DO CHIADO
(Desconversando com F. Pessoa)

Múltiplo solitário poeta
com o universo inteiro na cabeça,
eis-te agora sentado em extática glória
aqui onde te assopram ao ouvido
os lodosos detritos dos dias
e as líquidas profecias
gizadas ao refluir das luzes.

Triste despessoado fernandinho,
aqui posto em estado de estátua,
a rara chuva destes dias
já não aleita as raízes donde crescem
as visões – roubam-te o desassossego
com o escárnio da madrugada e os tráficos
que a noite desfecha contra o sono,

mas ainda te ouço sonhador ao griso
que descampa este largo (pois sem sonho
não há glória), embora o enxame turístico
empalideça o manso rufar das náufragas estrelas,
as madrugadas de fêveros ecos
quando o universo cisma nas razões que cunham
a solidão e seu luminoso rasto debruando a alba.

Dos desastres da pátria, nem te falo:
tu que navegaste soçobrados sonhos
de império, hoje és segura escada para cátedra;
não te cotaram ainda em bolsa, mas é coisa
para ser pensada, agora que no fundo da arca
nenhum enigma se dissimula, nem o arroto
que prateia algum verso descartável.

Sei que rumoreja mal o altivo rogo por entre
o tinir dos copos nas mesas da esplanada
onde se empoleira a viçosa vacuidade do mundo
e não há porfia que acenda o coração amortalhado,
drenando ainda, como intérmina rebentação,
fulgores de vinho sorvidos com a mansidão de um
touro, mas manda sempre a este que não é teu devoto,
porém, como tu, peregrina sob o essencial desamparo,
à acrílica mansidão com que a treva nos acolhe.

JOSÉ LUIZ TAVARES

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Poetas

Posted in Comentários by A. Apolinário Lourenço on Terça-feira, 22-04-2008

Dez anos depois de um inquérito semelhante, o Jornal de Letras n.º 979, de 9 de Abril, dedicou o seu espaço nobre ao estabelecimento de uma espécie de ranking de obras e de escritores nacionais e estrangeiros, constituído a partir de listas de preferências elaboradas por 45 personalidades da vida cultural portuguesa.

Para Carlos Reis, um dos críticos convidados a comentar a escolha, diferença mais notória entre o ranking de 1998 e o actual foi o desaparecimento de várias obras e autores clássicos, que foram substituídos, em 2008, por contemporâneos.

Cingindo-me apenas aos autores nacionais escolhidos, verifica-se que Fernando Pessoa (e heterónimos) esmaga a concorrência quanto ao número de menções (45, seguindo-se Eça de Queirós, com 27, e Lobo Antunes, com 23. Os dois livros mais votados foram o Livro do Desassossego (do semi-heterónimo Bernardo Soares) e as Poesias de Álvaro de Campos, enquanto Os Maias, que surgem em terceiro lugar, são a primeira obra não pessoana da lista. Ao todo, são 40 os autores que aparecem no ranking do JL, correspondendo aos escritores com pelo menos 3 menções, dos quais apenas Camões, Vieira e Fernão Mendes Pinto são anteriores ao século XIX.

Observando a lista, à procura de omissões que possam parecer escandalosas, apercebo-me da ausência Miguel Torga. Deveria figurar? A avaliar pela grandiosidade das recentes comemorações do centenário do seu nascimento, pelos congressos internacionais dedicados à sua obra e até pelos muitos livros que lhe foram ultimamente dedicados, é, de facto, estranha a sua ausência. Mas a verdade é que os intelectuais seleccionados pelo JL não votaram nele, preferiram escritores a que não são consagrados grandes Congressos Internacionais, e que nalguns casos raramente se vêem nas prateleiras das livrarias (Fiama, Rodrigues Miguéis, Luísa Neto Jorge, Maria Gabriela Llansol, por exemplo).

A situação não é, de resto, inédita. Vem-me à memória o escândalo público motivado pela não-inclusão de qualquer poema de Torga na antologia Século de Ouro, cujo critério de elaboração foi idêntico ao do JL: a consulta de personalidades pertencentes ao campo literário. Culparam-se então os organizadores, e os deputados eleitos por Coimbra (de todos os partidos) tomaram inclusivamente uma posição pública de protesto e desagravo, rejeitando a exclusão de Torga, Manuel Alegre e Afonso Duarte (todos novamente excluídos).

Confirma-se, portanto, que Miguel Torga, por muito popular que seja, não é um autor que encante a actual geração de críticos, romancistas e poetas. O JL evidentemente (e muito bem) não subverteu a escolha dos seus convidados, como também não o fizeram (e igualmente muito bem) os organizadores do Século de Ouro.

António Apolinário Lourenço

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¡No pasa nada!

Posted in Comentários by A. Apolinário Lourenço on Sábado, 15-03-2008

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Lá no seu assento etéreo Fernando Pessoa deve dar pulos de satisfação. O sistema ortográfico que ele nunca reconheceu nem utilizou tem os dias contados. Bem vistas as coisas nem era assim tão mau. Tinha apenas um grande defeito: era apenas o sistema ortográfico de um reduzido número de falantes da língua portuguesa.

Ou talvez não: para a meia dúzia de intelectuais irredutíveis, empoleirados numa turba ignara que julga que a ortografia portuguesa se mantém igual desde o Milagre de Ourique, o Português tem 200 milhões de falantes à segunda, à quarta e à sexta, e 10 milhões à terça, à quinta e ao sábado. Ao domingo não há cifras, pois é o dia do Senhor.

Do outro lado da barricada está o prof. Malaca Casteleiro. Ainda há dias o ilustre académico, envolvido desde o início do processo nas negociações com o Brasil, se lamentava da pouca vontade política dos governantes portugueses na ratificação do acordo ortográfico. Logo que o acordo foi ratificado, Malaca Casteleiro e a Texto Editora apressaram-se a colocar no mercado os primeiros dicionários adaptados à nova ortografia. Se a maior parte dos editores se lamentava pelos prejuízos que a reforma ortográfica lhes iria trazer, também há quem pense ganhar dinheiro com a reforma.

Vale a pena comprar desde já esses materiais bibliográficos actualizados? — perguntará o leitor ou a leitora. É claro que sim, se quiser surpreender a sua namorada ou o seu namorado com a primeira carta de amor na novíssima ortografia. Mas se já for casado ou não tiver namorado/a, não precisa de se precipitar. Tem pela frente seis anos de adaptação ao sistema ortográfico agora ratificado. E se o leitor passados vinte anos continuar a escrever como até aqui, desafiando a vergonha pública do seu filho, que não compreenderá que o seu progenitor escreva de uma maneira que «não tem nada a ver» — isto é, se fizer como o Fernando Pessoa —, pode crer que «no pasa nada».

Esta reforma ortográfica promete não ser imposta como a anterior: à palmada.

António Apolinário Lourenço

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Os livros também se abatem

Posted in Autores by A. Apolinário Lourenço on Quinta-feira, 13-03-2008

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Quando vi a casa pela primeira vez, o que mais me chamou a atenção foi o escritório de Antieri, aquele que acabámos por deitar abaixo. A ordem e limpeza que havia ali dentro intimidavam-me. Uma estante cheia de livros forrava todas as paredes. Lombadas perfeitas, intactas, de couro bordeaux ou verde. E duas vitrinas onde guardava as suas armas, de diferentes calibres e modelos. Polidas, sem um vestígio de pó, brilhantes. Enquanto percorríamos o escritório, Juani, que tinha apenas cinco anos, aproximou-se da estante, tirou um livro, atirou-o ao chão e pôs-se em cima dele. A lombada do livro foi abaixo. Ronie agarrou-o com um puxão de cabelos. Levou-o lá para fora para o castigar sem testemunhas, estava furioso. Eu ocupei-me do livro, sacudi-lhe a marca do sapato de Juani. Tentei arranjá-lo, achei-o leve e dei-lhe a volta. Era oco. Não tinha páginas no interior, apenas as capas duras, uma caixa de falsa literatura. Li, na lombada, Fausto, de Goethe. Coloquei-o no seu lugar. Entre A Vida é Sonho, de Calderón de la Barca, e Crime e Castigo, de Dostoievsky. Todos ocos. Para a direita, havia mais dois ou três clássicos e depois repetia-se, A Vida é Sonho, Fausto, Crime e Castigo, em letras douradas de filigrana. A mesma série em todas as prateleiras.

Excerto de Claudia Piñeiro (2008). As Viúvas das Quintas-Feiras. Matosinhos: Quidnovi. 236 pp.Tradução de Artur Lopes Cardoso [ISBN: 978-989-628-004-8].

António Apolinário Lourenço

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Madame Bovary, 150 anos depois

Posted in Comentários by A. Apolinário Lourenço on Quinta-feira, 21-02-2008

Madame Bovary

Concretizaram-se, no ano há pouco terminado, cento e cinquenta anos sobre a publicação em livro de Madame Bovary, o genial romance de Flaubert. Estranhamente, a efeméride passou entre nós praticamente despercebida, apesar da enorme influência que essa obra e o seu autor exerceram sobre a literatura portuguesa, a partir do final do século XIX.

Para Eça de Queirós, em particular, Gustave Flaubert foi permanentemente um mestre e um modelo. Logo em 1871, quando o futuro autor d’Os Maias apresentou no Casino Lisbonense a sua conferência sobre o realismo na arte, com um discurso demasiado colado ao do livro de Proudhon intitulado Du Principe de l’art et de sa destination sociale, os parágrafos mais originais foram justamente aqueles que dedicou a Madame Bovary. A conferência, como se sabe, é apenas conhecida pelos relatos da imprensa da época (neste caso, o Diário Popular de 15 06 1871):

Para exemplificar a doutrina do realismo, citou o Sr. Eça de Queirós Madame Bovary, o célebre livro de Gustave Flaubert, no qual o adultério tantas vezes cantado pelos românticos como um infortúnio poético que comove perniciosamente a susceptibilidade das almas cândidas, nos aparece pela primeira vez debaixo da sua forma anatómica, nu, retalhado e descosido fibra a fibra por um escalpelo implacável. O efeito é surpreendente e terrível.

Constatamos, assim, que foi a leitura de Madame Bovary que fez Eça compreender a superioridade civilizacional e ética do Realismo sobre o Romantismo. Outros autores, como os irmãos Goncourt e Émile Zola, em França, sentiram, perante Madame Bovary, um deslumbramento idêntico ao de Eça. E enquanto Edmond et Jules de Goncourt criavam, com Germinie Lacerteux, uma espécie de Bovary das classes baixas, Zola procuraria, igualmente a partir do romance de Flaubert, desenhar o modelo técnico-narrativo do romance naturalista.

Alguns críticos gostam de recordar as cartas de Flaubert em que este se considerava crítico e opositor do realismo. Contudo, o realismo de que se distanciava o autor de Salammbô não era o «realismo» em abstracto, mas a prática romanesca de autores integrantes do «grupo realista» que gravitava em torno de Champfleury e de Courbet. Na revista Réalisme, saiu em 1857 uma crítica demolidora de Madame Bovary. O autor da crítica, o também romancista Edmond Duranty, advogava que o discurso literário deveria ser em tudo idêntico ao discurso coloquial e denunciava o romance de Flaubert por ser «feito a compasso, com minúcia; calculado, trabalhado, feito de ângulos direitos e, definitivamente, seco e árido». Ao contrário de Champfleury e Duranty, Flaubert era um esteta, que trabalhava o discurso com uma paixão obsessiva, logrando atingir, como disse Roland Barthes em O grau zero da escrita, «um sexto sentido, puramente literário, interior aos produtores e aos consumidores da Literatura». Contudo, como escreveu William Paulson a propósito de outro importante romance de Flaubert, A Educação Sentimental, a sua «preocupação com o estilo, longe de o distrair relativamente às dimensões histórica e social da sua obra, era acompanhada por uma obsessão idêntica pela fidelidade ao mundo exterior ao texto», que o levava, por exemplo, à leitura intensiva dos jornais da época em que situava a acção dos seus romances e à visita demorada aos cenários romanescos, tomando, para cada um dos seus livros, muitas dezenas de páginas de fichas de trabalho.
[continua aqui >>>]

António Apolinário Lourenço

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O Menino de sua Mãe

Posted in Comentários by A. Apolinário Lourenço on Sábado, 09-02-2008

pessoa9Devo começar por dizer que tenho apreço pelo trabalho da equipa que tem concretizado a edição das Obras de Fernando Pessoa, da Assírio & Alvim. Estranho, no entanto, o critério puramente cronológico adoptado para aquilo que Fernando Pessoa chamava nos seus planos editoriais o cancioneiro, ou seja, os poemas assinados pelo ortónimo e que, ao contrário da Mensagem, não constituíam um volume autónomo. É que esse critério coloca algumas obras-primas da poesia portuguesa junto a fragmentos informes, que nenhum autor se permitiria publicar.

Mas o critério cronológico também é perigoso por outros motivos. Há algum tempo atrás, necessitando saber a data precisa do famoso poema «Iniciação», procurei-o no índice do terceiro e último volume, e encontrei dois poemas com o mesmo título, respectivamente nas páginas 86-87 e 387. Abri ambas as páginas para saber qual era a «minha» «Iniciação» e descubro que se trata do mesmo poema. Na página 87 está datado de 23-5-1932; na página 387, de «ante Maio de 1935». Compreende-se o equívoco: o poema foi publicado pela revista Presença em Maio de 1935, e as organizadoras dos volumes não se aperceberam de que era o mesmo poema encontrado no espólio com uma data precisa e bastante anterior à da sua publicação. Ficou, portanto, duplicado.

Por um acaso fatídico, necessitei também de procurar o poema «Pauis» e, é claro, fui encontrá-lo no primeiro volume (1902-1917), datado de Fevereiro de 1914. Não estava duplicado, mas encontrei-o separado do seu «gémeo falso», «Ó sino da minha aldeia», ao qual Pessoa o associou na revista A Renascença (de facto publicada em Fevereiro de 14), sob o título genérico de «Impressões do Crepúsculo», colocando sob os poemas a data de 29-Março-1913. «Pauis» não pode evidentemente ter sido escrito em 1914, porque Sá-Carneiro já o comenta numa carta de 6 de Maio de 1913. Procurei afanosamente o poema dissociado por todo o primeiro volume, mas não encontrei. Acabei por localizá-lo no volume do meio (1918-1930), com um título, «O Aldeão», colocado entre parêntesis rectos e datado de Dezembro de 1924. É que o poema fora de novo publicado na Athena nessa data, mas sem título.

Malhas que a cronologia tece…

A. Apolinário Lourenço

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