As cidades legíveis
assim se aprende,
ao anoitecer, como o verão
escreve cidades mais legíveis;
embora breves; sobre
alicerces que flutuam
em torno do leitor nocturno,
e são talvez a imagem
do meio círculo que falta
à lua, no horizonte.
De «Noite de Verão», poema de Entre duas Memórias, de Carlos de Oliveira, e um dos «poemas camonianos» do autor. Difícil não pensar nestes versos quando, depois da meia-noite estival, os carros ressoam surdamente ao descer a rua e fazem mais legível o mundo.
Osvaldo Manuel Silvestre




